Com o término da temporada de treinamento e competições (macrociclo anual) todo atleta precisa de um período de férias (fase de transição) para recuperar-se tanto do desgaste físico quanto psicológico decorrente de um ano de muito treinamento e competições.
Em cada caso, o treinador deve observar as necessidades de cada um de seus treinados no que diz respeito ao fator descanso. Determinados atletas tem a necessidade de fazer um descanso com repouso absoluto enquanto outros podem fazer apenas um descanso com atividades leves. Isto de acordo com o perfil psicológico e o nível de treinamento ao qual o atleta foi submetido durante a periodização (atletas amadores normalmente tem menor carga de treinamento que atletas profissionais).
A principal característica do período transitório entre temporadas é a diminuição do treinamento à níveis mínimos sem necessidade de rotina e também a realização de atividades físicas ou esportivas de outras modalidades, as quais normalmente não são aconselhadas no período de treinamento por se tornarem até lesivas em determinados casos (EX: jogar futebol com os amigos durante o período de treinamento com objetivo competitivo na modalidade do triathlon). O grande motivo de não se realizar atividades paralelas é que um dos princípios que regem o treinamento desportivo é o PRICÍPIO DA ESPECIFICIDADE DO TREINAMENTO, o qual determina que para se realizar um esforço ou atividade específica devemos treinar especificamente as capacidades físicas e motoras envolvidas na modalidade escolhida. Assim sendo se realizamos outras atividades, as quais utilizam outras capacidades e atos motores, não conseguimos fazer com que nosso organismo entenda ao máximo um determinado esforço e obtenha o melhor aproveitamento na performance competitiva.
Então concluímos que as férias são necessárias. Mas e quanto ao retorno para um novo período de treinamento e competição? Como fazê-lo?
Depois do descanso, mais que merecido, ocorre um destreinamento e uma diminuição do nível de aptidão do atleta. Por este motivo o retorno à rotina de treinos é tão difícil.
Mas mesmo com esta dificuldade inicial, com o decorrer do período de readaptação o atleta vai se acostumando novamente e progressivamente à rotina e à sobrecarga dos treinos. Algumas dicas podem ser seguidas para tornar mais fácil a readaptação:
1) Pense que os desconfortos físicos irão diminuir com a evolução do treino, e que do seu retorno até mais ou menos a terceira semana consecutiva de treino seu relógio biológico estará mais confortável com relação à rotina.
2) Realize seus esforços com pouca intensidade já que ficou um bom período sem estimular seu aparelho cardiovascular.
3) O mesmo vale para sua estrutura (ossos, músculos, tendões e ligamentos): atividade com intensidade leve e quanto à corrida opte por superfícies mais macias (terra, grama) afim de diminuir o impacto.
4) Procure alongar bem a musculatura principalmente após os treinos.
5) Siga corretamente as instruções do seu treinador sem realizar esforços maiores do que você está preparado para realizar naquele momento, e nem treinar um volume maior que o determinado, por mais que você ache que seu treinador está lhe subestimando.
Boa sorte e um ano de muitas vitórias!!!!
Prof. Marcello Butenas
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Formado pela Escola de Educação Física da USP no ano de 1988.
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Especializado na área de Treinamento Desportivo e Preparação Física .
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Coordenador e palestrante de Cursos e Clínicas de Treinamento Desportivo ligadas á prática do triathlon.
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Diretor Técnico responsável pela Butenas Assessoria Esportiva, técnico de triathlon e corrida.
Personal Trainer.
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