A REALIDADE DA GINÁSTICA LOCALIZADA

Abrimos hoje a nossa coluna com uma boa notícia. No III Simpósio Internacional de Atividade Física realizado entre os dias 21 e 23 de novembro na UERJ, recebi uma homenagem do Centro de Estudos do Projeto Idosos em Movimento Mantendo a Autonomia em função da coluna que assino no Jornal Tribuna de Petrópolis. Todos os anos a entidade não governamental homenageia profissionais que tenham se destacado nos campos do jornalismo e do magistério voltados para as atividades físicas para pessoas idosas.

Desejo destacar que essa homenagem deve-se muito mais a você leitor que me acompanha enviando críticas e sugestões, aos editores a mim confiando esse espaço e aos profissionais de Educação Física com os quais convivo diariamente. Muitos dos assuntos aqui abordados antes são discutidos para se chegar a uma resposta satisfatória. A você leitor, aos editores e a categoria profissional o meu muito obrigado. Estendo esse agradecimento a você leitor de "totalsport" porque a matéria é quase sempre a mesma publicada em Petrópolis.

Bom, já falamos sobre a sensação do momento nas academias que são as aulas de spining e vamos hoje começarmos a falar da ginástica localizada.

Embora exista uma corrente dizendo que essa atividade está com os dias contados, ela continua a ser o carro chefe das academias e tem resistido aos furacões que surgem principalmente nessa época do ano. Resiste porque, quando executada com critérios, ela é boa e dá resultado desejado.

Nos capítulos da história da Educação Física vimos que a ginástica localizada teve origem na Calistenia, e trás uma fundamentação teórica da musculação. Lembram disso?

A barriguinha tá meio molenga? Dá pra acertar. O bum bum tá meio caidinho? Dá-se um jeito. Os braços estão meio fininhos? Também dá pra acertar. Só não dá pra fazer milagre e nem "tirar daqui e botar ali". Como a maioria das atividades físicas essa também é cercada de mitos. Tem gente que acha ser possível queimar as gordurinhas localizadas com exercício localizado. É mole?

Hoje, sob pretexto da criatividade, a ginástica localizada passa por uma fase ruim com alguns profissionais ministrando aleatoriamente, aulas sem fundamentos específicos com repetições exageradas, fato que a ciência já reprovou, principalmente se o público alvo for o cidadão comum. A literatura atual ainda sugere uma carga de 85 a 90% da Força Máxima e repetições de 6 a 8 quando se deseja adquirir a força pura, 70 a 85% da FM e 8 a 12 repetições para a força dinâmica e 40 a 60% da FM com mais de 12 repetições quando o objetivo é a resistência muscular localizada. Mais de 12 repetições não significa 30, 40, 50 ou até mais.

Uma das vantagens na localizada, que usa acessórios como halteres bastões e caneleiras é poder-se desenvolver harmoniosamente os grupos musculares porque ao executarmos um exercício com pesos livres, os músculos auxiliares e os chamados sinergistas são também recrutados para estabilizar o movimento. Outra vantagem é poder-se, embora não seja muito comum, desenvolver a força com séries de 8 a 12 repetições variando progressivamente a carga do cliente.

Como acontece em toda atividade física é preciso estar atento à fundamentação teórica e a criatividade na variação dos exercícios não se transforme num monte de movimentos aleatoriamente executados. Por isso a aula pode se tornar muito prazerosa desde que o professor saiba conjugar os métodos com os princípios das alavancas na hora de ordenar os exercícios. De acordo com os objetivos do cliente, ou mesmo o fundamento explorado, podemos aumentar a força a ser aplicada apenas aumentando ou diminuindo o braço de resistência. Vantagem e desvantagem mecânica. Por exemplo. Nos exercícios de extensão total de quadril em quatro apoios visando o trabalho de fortalecimento de glúteo máximo (bum bum), e o mesmo exercício com os joelhos flexionados, é preferível fazer primeiro, a extensão completa e depois com os joelhos flexionados. O grupo muscular estando descansado, faz-se, pela lógica, o exercício com o braço de resistência maior onde a desvantagem mecânica é maior exigindo mais da musculatura. Depois, estando o músculo mais fadigado diminui-se o braço de resistência. Isso possibilita ao aluno executar toda a série programada e o músculo receber o estímulo apropriado. Os fisioculturistas de menor estatura, com os ossos menos longos, geralmente têm mais facilidade de hipertrofia porque o braço de resistência sendo naturalmente menores, oferecem mais vantagem mecânica.

Bom, a ginástica localizada sendo de baixa a moderada intensidade, conforme o método escolhido, ajuda no emagrecimento, e atende perfeitamente aos objetivos tanto estéticos como os de saúde. Na próxima semana a gente fala sobre os métodos e a possível periodização em academias.

Para Refletir: Tem tanta gente falando em defesa do meio ambiente... Eu gostaria de saber quando vão começar a plantar árvores.

Sobre a Ética – A conduta do Profissional de Educação Física com relação aos colegas deve ser pautada nos princípios de consideração, apreço e solidariedade em consonância com os postulados de harmonia da categoria profissional.

FALE COM A GENTE - Se você tem alguma dúvida sobre exercício físico, mande a sua mensagem para o meu correio eletrônico ou ligue para a redação deste jornal. Juntos vamos aprender um pouco mais.

Luiz Carlos de Moraes CREF-1 3529T

E-mail: lcmoraes@petrobras.com.br

  • Atleta fundista há 26 anos
  • Treinador de atletismo há 14 anos.
  • Orienta a maior parte dos maratonistas de Petrópolis, RJ.
  • Dirige a equipe L.C.M.
  • Personal Trainer
  • Ministra aulas de step, ginástica localizada, alongamento e relaxamento em duas academias.
  • É colunista de Fisiologia do Exercício dos jornais: Tribuna de Petrópolis alimentada semanalmente.
  • Assinou por 9 anos a coluna Correndo Atrás, enfocando o mesmo assunto no Jornal Diário de Petrópolis.
  • Na Petrobras coordenou um programa antiestresse, ministrando aulas de step, alongamento, relaxamento, e orientou muitos atletas. Nos eventos de Saúde e Qualidade de Vida ministra palestras sobre atividade física e controle do estresse.
  • Está amparado pela lei 9696 de 1º de setembro de 1998, referente à regulamentação da profissão de Educação Física.

E-mail: sgb9@segen.petrobras.com.br