A CORRIDA E O TRIATHLON PREJUDICAM A MENSTRUAÇÃO?

Sandra Magalhães, (nome fictício) nossa simpática leitora, pergunta se os esportes de média e longa duração como a corrida e o triathlon podem causar suspensão do fluxo menstrual ou algum tipo de irregularidade hormonal.

O nome é fictício em virtude de, nas últimas semanas eu ter recebido várias perguntas similares de triatletas e de corredoras enfocando o mesmo assunto.

...É, vira e mexe a mulher está nos corações, nos versos, nas prosas e nas canções. "Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra". Incomoda "pra caramba" mas se não vem é motivo de preocupação e todo mundo é culpado. Até o esporte..."tadinho".

A amenorréia em corredoras fundistas, de uma certa forma causa mais preocupação ou polêmica do que merece. Vamos aos fatos?

Um instituto americano de pesquisa da saúde feminina demonstrou que em apenas 3,4% das mulheres corredoras fundistas a amenorréia ficou caracterizada de fato. Muitas delas já apresentavam irregularidades menstruais antes de começarem a correr. Cerca de 70% das atletas pesquisadas não apresentaram qualquer anormalidade. De um modo geral a corrida trouxe até mais benefícios do que problemas no tocante a cólicas e regularidade menstruais.

Muitas teorias envolvem especificamente a amenorréia. A mais aceita, citada por Weineck, Hollman, Fox entre outros, é a do percentual de gordura do corpo. Segundo Rose Frish, Ph. D., do Centro de Estudos sobre População de Harward, o sistema reprodutor feminino fica prejudicado se o percentual de gordura estiver abaixo dos 17%. Já Jokl, 1983 citado por Weineck fala em 12%.

Peso pena. Isso mesmo. A típica corredora amenorréica pesa menos de 52 quilos, corre mais de 50 quilômetros semanais a mais de oito anos, tem menos de 25 anos, não tem filhos e toma anticoncepcionais.

A maioria dos estudos atuais revela que o percentual de gordura não é a causa principal, estando a amenorréia mais associada a fatores conjugados.

Não resta dúvida ser a corrida de longa distância a modalidade esportiva que mais interfere no percentual de gordura. Por isso, ingerir menos carboidratos do que o necessário para a atividade, preocupada com peso nominal de balança é um erro. O corpo da corredora precisa de mais combustível para a atividade e também o sistema reprodutor. Alguns estudos revelam falhas na alimentação esportiva. A produção de estrogênio e outros hormônios ovarianos, segundo Sandra Rosenzweig, autora do livro Sportsfitness for Women está também relacionada com a quantidade mínima de colesterol.

...E tem mais. Ainda outra teoria está calcada na redistribuição do aporte sangüíneo que o corpo faz durante o exercício. Os órgãos pélvicos ficariam prejudicados nos exercícios extenuantes em favor da musculatura em atividade. A constância dessa situação pode provocar, segundo alguns médicos, a tal da amenorréia ou irregularidade hormonal. Muito estrogênio, alguns relacionam ao câncer, pouco à osteoporose prematura.

O suposto atraso da primeira menstruação (menarca) ocorre com mais freqüência do que a amenorréia. Como as mulheres bem sucedidas no atletismo são magras, o amadurecimento dos órgãos reprodutores acontece mais tarde. Cooper entre outras autoridades consideram normal a menarca ocorrer até os 15 anos.

Enfim, mulher não é bicho esquisito. Cada uma pode não menstruar por diversos motivos. A corrida e o triathlon ainda representam um índice desprezível. Nos meus dez anos treinando mulheres só passaram por mim os casos de menarca depois dos 13 anos. Sem preocupação médica.

Calcado nessa experiência, vou enfocar em breve, a questão da intensidade do exercício adequado às fases menstruais (estrogênica, progestogênica, pré menstrual e menstrual).

Bem, o nosso papo ficou muito sério, né? Por um acaso, não é assim que a mulher deve ser levada...? A séééério.

LITERATURA CONSULTADA: 1) WEINECK, Jürgen. - Biologia do Esporte. Ed. Manole Ltda. S.P. 1991. 2) POLLOCK, Michael L. - Exercício na Saúde e na Doença. Ed. Medsi, 2ª edição, R.J. 1993. 3) OLIVEIRA, Osmar - O Atleta Moderno. Dicas e Verdades para o Esportista. Oficina de Livros Ltda., Belo Horizonte B.H., 1990. 4) FERREIRA,Ayrton - A mulher na Corrida - Apoio da edição: Jornal da Tarde - Bahia - 1990. 5) HOLLMAN, Wildor & HETTINGER, Theodor - Medicina de Esporte - Ed. Manole - S.P. 1983. 6) VANDER, Arthur J. - Fisiologia Humana. Ed. Mc Graw-Hill do Brasil, Ltda. S.P., 1981.

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Luiz Carlos de Moraes CREF-1 3529T

E-mail: lcmoraes@petrobras.com.br

  • Atleta fundista há 26 anos
  • Treinador de atletismo há 14 anos.
  • Orienta a maior parte dos maratonistas de Petrópolis, RJ.
  • Dirige a equipe L.C.M.
  • Personal Trainer
  • Ministra aulas de step, ginástica localizada, alongamento e relaxamento em duas academias.
  • É colunista de Fisiologia do Exercício dos jornais: Tribuna de Petrópolis alimentada semanalmente.
  • Assinou por 9 anos a coluna Correndo Atrás, enfocando o mesmo assunto no Jornal Diário de Petrópolis.
  • Na Petrobras coordenou um programa antiestresse, ministrando aulas de step, alongamento, relaxamento, e orientou muitos atletas. Nos eventos de Saúde e Qualidade de Vida ministra palestras sobre atividade física e controle do estresse.
  • Está amparado pela lei 9696 de 1º de setembro de 1998, referente à regulamentação da profissão de Educação Física.

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