TIPO II a – Possuem, segundo McArdle, capacidade tanto aeróbia como anaeróbia sendo assim considerada intermediárias. O que determina a capacidade oxidativa é a presença das enzimas SDH (Succinato Desidrogenase) e PFK (Fosfofrutocinase), respectivamente aeróbias e anaeróbias que influencia diretamente na velocidade de encurtamento da fibra. Essas fibras possuem as duas enzimas. TIPO II b – Possuem um maior potencial anaeróbio sendo a verdadeira fibra rápida. TIPO II c – São mais raras e, segundo McArdle, podem participar da reinervação ou da transformação das unidades motoras. Para que serve isso? Como sabemos as diversas modalidades esportivas têm características diferentes no que se refere à solicitação motora. Quando comparamos um maratonista com um velocista é fácil perceber: Um corre mais lento e por várias horas, o outro percorre uma curta distância e muito rápido. Entretanto, outras modalidades como por exemplo o futebol, o tênis, o vôlei entre outros, é difícil perceber e até de definir. São esportes rápidos? A princípio sim. Entretanto, o nível de competitividade e a especialização a que chegaram, inclusive durando horas uma grande decisão de prova “dita” anaeróbia levaram os especialistas a repensarem e buscar respostas. As fibras musculares poderiam transformar suas características? Ou seja, um maratonista pode se transformar num velocista e vice e versa? As pesquisas até agora dão conta que não é possível uma fibra vermelha, como num passe de mágica, virar branca. Porém, as propriedades bioquímicas-fisiológicas podem bandear de II b para II a ou, de I para II c conforme a exigência do treinamento, mas a fibra branca continua a ser branca e a vermelha, vermelha. Uma vez cessado o treinamento e respectivo tipo de estímulo tudo volta ao normal, mesmo porque, até que se prove o contrário, esse é um dado genético. Outro fato ainda não possível é a transferência de um segmento corporal treinado para outro. Por exemplo, um remador transferir sua potência dos braços para as pernas ao tentar virar um corredor de 100 metros. Isso exige um treinamento específico na nova modalidade. O que se aproveita são os valores fisiológicos de performances da resistência orgânica. HOMENS E MULHERES – A gente sabe que homens e mulheres são diferentes, mas nesse ponto, não existe diferenças significativas. Ambos têm um percentual próximo de 45/55% de fibras tipo I e II. Mulheres competem tanto em provas curtas e rápidas quanto lentas e longas. Claro, guardadas as devidas proporções quanto ao percentual de força física, muito mais dependente da liberação hormonal que define a velocidade final alcançada. A IDADE – Há algum tempo especulava-se que treinamento, especialmente anaeróbio, dependia da idade. Hoje sabe-se, com a evolução dos métodos e da ajuda da ciência que “idade não é mais documento”. Os resultados Olímpicos estão aí com corredores de 100 metros chegando aos 32 anos e a natação registrando recordes mundiais em provas curtas de atletas outrora considerados velhos. Isso levou a ciência a pesquisar sobre características e adaptações oxidativas das fibras musculares. Já não são poucos os trabalhos induzindo uma variação de treinamento em todas as modalidades esportivas evitando, elevando e prolongando um suposto pico de performances e a vida esportiva de um atleta de alto nível. Maratonistas estão mais rápidos e velocistas além de rápidos competem em três ou mais Olimpíadas. Jogadores de futebol passam dos 35 anos jogando, e muito. A RAÇA - Em função muito mais dos resultados de algumas modalidades esportivas há quem defenda que a musculatura dos negros sejam dotadas de um percentual maior de fibras tipo II. Esportes onde a força física e a velocidade se fazem presente como o boxe e o atletismo são bom exemplo disso. Os negros dominam a grande maioria das modalidades rápidas, tais como as corridas rasas de 100, 200, 400 metros, os saltos e de sobra algumas provas de fundo como a meia maratona e a maratona com seus 42,195 metros. Mas o que dizer das provas de componentes anaeróbios dominados pelos brancos como o salto com vara e os lançamentos de peso, disco e dardo? E o que dizer da categoria feminina? As mulheres brancas, principalmente as do Leste Europeu, ainda dominam muitas provas de força e velocidade. Aqui no Brasil na São Silvestre, uma corrida que exige experiência, força e velocidade, o catarinense Iser Ben venceu em 97 e a Yugoslava Jevtic Olivera em 98. Os resultados podem ser mais uma prova do bandeamento de fibras musculares de acordo com o tipo de treinamento. AS PROPORÇÕES – Além das características genéticas, ou seja, cada um já nascer com uma tendência para ser velocista ou fundista, cada músculo esquelético tem uma proporção diferente de fibras rápidas e vermelhas conforme a função motora. O sólio, por exemplo, que fica por baixo da batata da perna, tem proporções maiores de fibras vermelhas enquanto o gastrocnêmio, batata da perna, tem mais fibras rápidas. Além disso, essas proporções também mudam da periferia para o interior, respectivamente rápidas e vermelhas, e tem justificativa. O gastrocnêmio atua nas articulações do joelho e tornozelo e sua importância está relacionada com os movimentos básicos posturais e de deslocamento do corpo humano. A elevação do calcanhar durante a marcha, o lançamento do corpo ao ar na corrida e nos saltos e todos os movimentos contrários ao “pé de bailarina” (dorsiflexão) são função desse músculo e depende de potência justificando o percentual maior de fibras rápidas. Uma contusão nessa massa muscular é suficiente para dificultar e até de impedir uma pessoa de caminhar normalmente. O sóleo ou solear é um músculo mais largo e plano que serve, por assim dizer, de base e sustentação para os movimentos dos gastrocnêmios. Sua ação é praticamente a mesma dos gastronêmios fazendo a flexão plantar, inversão do pé estabilizando a perna sobre o pé. Como sua ação é mais duradoura, vem daí a justificativa de percentual maior de fibras tipo I. Um outro aspecto a ser considerado é que as fibras musculares são, nas atividades comuns do dia a dia, solicitadas numa proporção progressiva de volume celular e das menores para as maiores. Ou seja das vermelhas para as brancas. Porque? Sabe-se que as vermelhas têm corte de seção transversal menor (mais finas) porém, como já visto, com muitas células mitocondriais (usina de energia). As brancas, mesmo em sedentários, têm corte de seção transversal maior (são mais grossas). Assim sendo, o treinamento com pesos, visando hipertrofia solicita em primeiro lugar as fibras vermelhas, seja no aquecimento e ou nas primeiras séries. Quando se usa percentual de carga mais pesada, 70 a 90% da máxima, todas as vermelhas são recrutadas e mais as brancas à medida que vão sendo esgotadas as primeiras. As do tipo IIb são as últimas a serem solicitadas e apesar de brancas, assumem características IIa porque não acumulam enzimas oxidativas. Elas entram, por assim dizer, para socorrer as outras nos esforços máximos ou quando todas estão fadigadas. Bom, isso dá “pano pra manga”... até a próxima moçada da geração saúde. Para Refletir: Poder implica responsabilidade... tem gente que nasce para ser apenas mandado. Sobre a Ética – Conduta ética é fruto do aprendizado da oportunidade social de cada um. É uma questão de cultura. Luiz Carlos de Moraes CREF/1 RJ 003529E-mail: lcmoraes@petrobras.com. br
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