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O TREINAMENTO DE ALTITUDE
Em todo o mundo, a partir de agora começa a "rolar" os campeonatos importantes onde cada equipe e treinadores têm a oportunidade de avaliar as reais chances de seus atletas superarem os limites do homem nas Olimpíadas.
Nos esportes de resistência, um dos métodos de treinamento ainda gerando discussão mas em constante evolução é o de altitude.
Em síntese sabe-se que treinando-se em altitude onde o ar é rarefeito sendo a oferta de oxigênio menor, o corpo humano, exposto a essa situação tem mecanismo de compensação produzindo mais células vermelhas a fim de aumentar a capacidade de transportar o pouco ou menor quantidade de oxigênio. Esse mecanismo vem através da liberação maior do hormônio renal eritropoetina (EPO) cuja função é a fabricação de hemácias.
Estudos como o apresentado no 3º Simpósio Internacional de treinamento de altitude realizado entre os dias 23 e 26 de fevereiro de 2000 na Universidade do Arizona do Norte, concluiu que as melhores respostas foram dos atletas submetidos a uma exposição diária de 20 horas por dia a uma altitude de 2100 a 2500 metros nas três primeiras semanas.
O treinamento de altitude não é uma fórmula mágica e não são todos os atletas a se beneficiarem com o método. Alguns precisam de altitudes um pouco mais alta e outros, além de não se beneficiarem tanto, por questões genéticas, não suportam e passam muito mal tendo que desistir.
Não basta treinar e treinar. O controle nutricional é igualmente importante tendo em vista que o metabolismo basal chega a aumentar na ordem de 100 a 200 Kcal/dia. A dificuldade fica por conta, que de um modo geral, nessa situação os atletas perdem o apetite enquanto o gasto calórico está aumentando. Se o treinado sentisse mais fome seria mais fácil. Esse gasto a mais de energia pode, em certos casos, provocar uma perda de massa magra, processo conhecido por catabolismo. Quando o corpo não consegue gerar energia através das gorduras (processo aeróbio), acaba metabolizando proteína para a energia adicional. Sabe-se também que todo treinamento mais intenso gera radicais livres, e o de altitude não é diferente. Daí a necessidade da ingestão das vitaminas antioxidantes "E", "C" e betacaroteno com doses receitadas por nutricionistas ou médicos esportivos que estejam acompanhando os atletas.
Como nessas altitudes a temperatura ambiente é mais baixa e o próprio treinamento gera um estresse importante, o sistema imunológico pode ficar comprometido facilitando as gripes e resfriados. É recomendável que o atleta antes de ser submetido a essas condições esteja em perfeito estado de saúde. Outra tendência é a desidratação e a conseqüente a atenção à ingestão de líquidos, sucos de frutas e etc. O controle nutricional passa pelas taxas normais de ferro, mineral responsável pelo transporte de oxigênio. Não adianta nada ter mais células vermelhas se a hemoglobina não estiver completa com as quatro moléculas (heme) unidas à proteína (globina).
Uma das dificuldades à cerca do treinamento de altitude é que os de alta intensidade, como os intervalados, precisam ser executados em altitudes mais baixas. Ou seja, treina-se fraco, 40 a 60% do VO2 Máx, no alto, o corpo aumenta a oferta de glóbulos vermelhos e depois desce para treinar forte. Muita gente ainda pensa que o treinamento todo é executado no alto. Os atletas não agüentam isso, a não ser os habitantes nascidos em regiões de grandes altitudes como é o caso dos quenianos.
A opção inteligente então nos treinos eletizados são as barracas hiperbáricas onde a pressão atmosférica é controlada e o atleta faz os treinos fortes com máscaras com pressão de oxigênio a 26,5% que é a teoricamente encontrada ao nível do mar. Claro, sem considerar os níveis de poluição, né?
Bom, os efeitos do treinamento de altitude não são eternos e duram cerca de 4 a 6 semanas quando o atleta volta ao nível do mar. Por isso, o programa deve ser elaborado de tal forma a coincidir com o início da fase competitiva ou com a prova alvo.
SÓ PARA SABER - O treinamento das mulheres deve respeitar as diferenças fisiológicas. No geral elas têm 30% menos força física que os homens, maior percentual de gordura, bacia mais larga, fêmures mais convergentes e volume cardíaco e pulmonar menores. Entretanto isso não as impossibilita de praticar e, em algumas modalidades se igualarem e até mesmo superarem os homens. Nas provas de resistência, como a maratona e o triathlon, quando o organismo se utiliza da camada lipídica como uma das fontes de combustível, elas levam vantagem. A bacia mais larga e fêmures convergentes, ajudam-nas num melhor deslocamento do centro de gravidade.
Referências 1) FOX, Bowers, Foss - Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos. Ed. Guanabara Koogan S.A., R.J., 4ª edição, 1991. 2) WEINECK, Jürgen. - Biologia do Esporte. Ed. Manole Ltda. S.P. 1991. 3) http://www.nau.edu/hastc
PARA REFLETIR: As pessoas não precisam de caridade, e sim de estímulos.
Luiz Carlos de Moraes
E-mail: sgb9@segen.petrobras.com.br
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