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PASSAPORTE PARA A CÉLULA
Luiz Carlos de Moraes
Num passado não muito remoto, o diabético era quase condenado à própria sorte, impedido de ter uma vida normal. Graças ao avanço da Medicina, hoje essas pessoas fazem exercícios físicos tendo melhor qualidade de vida.
O diabetes melito tipo I é uma doença provocada pela deficiência da produção de insulina pelo pâncreas, importante hormônio que permite a penetração da glicose nas células e ser utilizada como energia. A insulina é o passaporte da glicose. Sem ela, não pode entrar. O outro tipo de diabetes, o tipo II tem a taxa de insulina normal mas ela não consegue entrar na célula carregando a glicose. Esse processo ainda não é bem esclarecido pela ciência.
O pâncreas produz também o glucagon, com funções, de certo modo, antagônica à insulina no equilíbrio glicêmico do organismo e nutrição celular. Os dois não trabalham ao mesmo tempo.
Após as refeições ocorre um aumento da glicose no sangue absorvida no intestino. Aí, as ilhotas de Langerhans (células agrupadas no pâncreas que produzem os hormônios em questão), entram em ação liberando a insulina, permitindo o consumo da glicose. Quando a curva glicêmica baixa ao completar-se a digestão, a secreção de insulina também diminui gradativamente dando lugar a presença do glucagon que, por sua vez, permite a entrada do glicogênio no sangue armazenado no fígado.
O diabete, assim como a hipertensão, é controlado com o uso correto de medicamentos, dieta e exercícios físicos.
O medicamento básico, pelo óbvio, é a administração de insulina natural. Geralmente, a de porco, por ser atualmente a mais compatível com o organismo humano. A dieta refere-se a pobre ingestão de carboidratos simples (açúcares) e a justificativa da atividade física é porque durante a atividade a glicose entra na célula sem precisar da insulina. Processo também ainda pouco esclarecido ficando muito mais no campo das hipóteses.
O diabete pode ser acompanhado de complicações cardiovasculares, geralmente hipertensão arterial pela oclusão parcial de algumas artérias e principalmente da circulação periférica, a mais prejudicada. Ora, se um dos benefícios dos exercícios físicos bem orientados é a melhora do sistema cardiovascular...
Vários pesquisadores citados por Fox, concluíram que, em exercícios físicos a 60% do VO² máx. os níveis de insulina em pessoas normais baixam, enquanto os de glucagon aumentam. Admite-se que essas respostas possam estar relacionadas com a presença da adrenalina e noradrenalina, liberadas também durante a atividade física, Não deixa de ser um mecanismo óbvio, já que o exercício físico de baixa intensidade requisita glicogênio a partir do fígado. Outros estudiosos citados por Weineck concluíram, que casos leves de diabete dispensam o uso da insulina apenas com dietas apropriadas e exercícios. Numa pessoa acamada, a partir do 3° mês, a assimilação de glicose torna-se muito mais lenta. Fica claro portanto que as células musculares absorvem açúcar (glicose) na presença da insulina e a necessidade desse hormônio diminui quando o músculo trabalha. Como o corpo é composto por mais de 40% de músculos...
Todo diabético (tipo I) consciente, hoje em dia tem o seu kit de controle para verificar a glicemia e sabe aplicar a insulina no seu próprio corpo, se precisar. Ao praticar exercício físico ele também tem que saber de algumas regrinhas práticas: 1) Não aplicar sempre na mesma parte do corpo. 2) Aplicar numa região do corpo que será menos usada na atividade física. Por exemplo. Se o sujeito vai correr, não aplicar nas pernas. 3) Evitar fazer a atividade física durante o chamado pico de ação. Ou seja, fazer a atividade 3 a 4 horas depois da aplicação. 4) É sempre bom ter também no kit, algum líquido açucarado para ser usado em caso de ocorrência de uma hipoglicemia. O entusiasmo na atividade física pode levar a isso.
Hoje em dia, como a maioria das academias tem avaliação funcional, e entre os procedimentos consta a investigação das doenças e hábitos do aluno (anamnese), fica mais fácil para o profissional de Educação Física controlar a intensidade do exercício dessas pessoas consideradas grupos especiais. Essas informações passam a constar na ficha do aluno. Para o personal Trainer melhor ainda. Enfim, para o diabético, a atividade física não é apenas culto ao corpo ou vaidade qualquer. É uma questão de sobrevivência, qualidade de vida e até mesmo um remédio gostoso.
Em tempo: Porque o diabético deve aplicar insulina numa região do corpo que será menos usada no exercício? Durante o exercício físico vai haver pela lógica uma vascularização maior nos grupos musculares em ação. Por exemplo. Se o sujeito vai correr o aporte sangüíneo é maior nos membros inferiores e assim por diante. A aplicação da insulina, apesar de ser subcutânea, deve ser evitada na região que será mais trabalhada na atividade física escolhida porque na prática, o rendimento é menor. Como o exercício facilita o consumo da glicose sem precisar da insulina e a insulina é aplicada justamente para facilitar a entrada da glicose nas células, esse duplo processo pode provocar uma hipoglicemia prejudicando o rendimento do exercício local porque a região está mais irrigada. Colaboraram Profs. Alexandre Trindade e Martinha.
LITERATURA CONSULTADA: 1)WEINECK, Jürgen. - Biologia do Esporte. Ed. Manole Ltda. S.P. 1991.
PARA REFLETIR: "O segredo da conquista é simples: saber o que fazer com ela".
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Luiz Carlos de Moraes
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