MORTE NO ESPORTE II

Na semana passa tivemos contato com alguns índices relacionados à morte no esporte e vimos que não são tão assustadores assim. Hoje vamos continuar a conhecer e desmistificar alguns problemas cardíacos mais comuns que podem levar um esportista à morte.

Prolapso da Válvula Mitral (PVM) - Essa, entre as anormalidades, pode ser considerada a mais comum afetando 5 a 10% da população mundial.

Situada entre o átrio e ventrículo esquerdo, através de dois finos folhetos ramificados com uma série de feixes tendinosos (cordoalhas) o sangue é direcionado na abertura da válvula quando o átrio se contrai ao mesmo tempo impedindo um refluxo do sangue do ventrículo para o átrio esquerdo.

Nos portadores do PVM o ventrículo esquerdo ao se contrair, essas cordoalhas projetam-se no sentido contrário. Ou seja, prolapsam em direção ao átrio chegando em alguns casos a permitir regurgitação de sangue arterial no átrio esquerdo.

É uma desordem cardíaca com forte tendência hereditária onde as mulheres na faixa etária de 20 aos 40 anos chegam a ocupar 21% do total confirmado em dados de pesquisas entre atletas universitárias americanas.

Como nas desordens anteriores, a fadiga seguida de palpitação são os sintomas mais evidentes que sugerem investigações detalhadas

Embora ocasionalmente em situações de repouso os portadores do PVM passam sentir dor no peito raramente, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia SBS, acontece após o exercício.

Como a fadiga costuma ser um limitador para o esforço mais acentuado, a maioria convive com o problema levando uma vida normal.

O diagnóstico inicial também parte da ausculta caracterizado por um “click” seguido de um ruído ou sopro. O teste ergométrico é uma das avaliações mais adequadas a definir qual a intensidade de exercício mais segura para o cliente.

Infecções cardíacas – Outras causas que podem levar o esportista à morte são as infecções no músculo cardíaco: miocardites, quando atinge o miocárdio e endorcardites quando atinge a parte interna do coração. Essas infecções podem ter várias origens, desde uma simples infecção dentária até as gripes mau curadas. Sabe-se que o corpo do atleta após atividade intensa sofre uma baixa no sistema imunológico ficando sujeito a gripes, resfriados e outras doenças infecciosas mais graves se não forem respeitados os períodos adequados de recuperação orgânica. Atletas que voltam a competir sem estar completamente curado corre o risco de um mal súbito por causa das alterações nos ritmos cardíacos com origens infecciosas.

Uso e Abuso de drogas – A tentativa desesperada pela glória e pela fama, acaba levando alguns atletas a buscar os recursos da dopagem esportiva. “Se não usar não vence”. Com esse rótulo os menos preparados, principalmente psicologicamente, caem na armadilha. As mais procuradas são os anabolizantes e o EPO.

Os anabolizantes são drogas compostas de hormônio masculino testosterona e que alguns atletas usam para aumentar a força em função da modalidade esportiva praticada tais como as corridas rasas, os saltos o halterofilismo e o levantamento de peso. Essas drogas aumentam a pressão arterial, interferem no funcionamento dos rins e podem causar câncer no fígado. Os anabolizantes, que são medicamentos para uso terapêutico nas atrofias musculares, ajudam a engrossar a lista de mortes no esporte. Isso porque os adeptos costumam usar doses 10 vezes maiores que as terapêuticas.

O EPO – É o hormônio renal eritropoetina cuja finalidade no organismo é o de fabricar glóbulos vermelhos. Atletas de provas longas recorrem a essa droga para aumentar o transporte de oxigênio. O tiro costuma “sair pela culatra” com o sangue tornando-se mais viscoso dificultando a circulação, principalmente em situação de repouso. O atleta pode morrer dormindo e existem vários registros de casos, principalmente no ciclismo internacional.

CONCLUSÃO - Enfim, podemos concluir que os registros de óbitos no esporte são muito baixos mas, poderia ser ainda muito menor, não fosse o descuido e por vezes a estupidez de alguns atletas e dirigentes esportivos cobrando resultados a qualquer custo. Espera-se que um dia, quem sabe, pelo menos os profissionais responsáveis pela preparação de atletas de alto nível ou não possam ser tão responsáveis e éticos a ponto de não se curvarem ao poder do dinheiro à custa de vidas humanas. Embora os atletas tenham sua parcela de culpa, aos treinadores cabe a responsabilidade maior porque tem o conhecimento.

Para Refletir: Remar contra a correnteza é ruim. Não remar é pior e a vida não pode ficar sem rumo.

Sobre a Ética – Podemos ser éticos, corporativistas mas sem radicalismo e abertos a novas idéias.

FALE COM A GENTE - Se você tem alguma dúvida sobre exercício físico, mande a sua mensagem para o meu correio eletrônico ou para o editor deste site. Juntos vamos aprender um pouco mais.

Luiz Carlos de Moraes CREF/1 RJ 003529

E-mail: lcmoraes@petrobras.com.br

  • Atleta fundista há 27 anos
  • Treinador de atletismo há 15 anos.
  • Orienta a maior parte dos maratonistas de Petrópolis, RJ.
  • Dirige a equipe L.C.M.
  • Personal Trainer
  • Ministra aulas de step, ginástica localizada, alongamento e relaxamento em duas academias.
  • É colunista de Fisiologia do Exercício dos jornais: Tribuna de Petrópolis alimentada semanalmente.
  • Assinou por 9 anos a coluna Correndo Atrás, enfocando o mesmo assunto no Jornal Diário de Petrópolis.
  • Na Petrobras coordenou um programa antiestresse, ministrando aulas de step, alongamento, relaxamento, e orientou muitos atletas. Nos eventos de Saúde e Qualidade de Vida ministra palestras sobre atividade física e controle do estresse.
  • Está amparado pela lei 9696 de 1º de setembro de 1998, referente à regulamentação da profissão de Educação Física.

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