ADAPTAÇÕES CARDIOVASCULARES III

Uma das confusões que as pessoas costumam fazer é com relação à diferença entre condicionamento e treinamento físico. Condicionamento entende-se como atividade física visando o bem - estar e a qualidade de vida enquanto, treinamento visa melhores performances para competição com estímulos específicos sempre próximos do máximo e portanto as que promovem as adaptações mais significativas no sistema cardiovascular. Como vimos nas matérias anteriores, os sinais clínicos das modificações estruturais tanto no coração doente como do super sadio são parecidos e uma das doenças muito ligada à desinformação é a hipertensão arterial.

Por muito tempo essa doença foi atribuída, entre outros fatores à musculação, em parte, porque as modificações das estruturas do coração (parede ventricular e tamanho das câmaras cardíacas) são similares às induzidas pelo referido exercício. Uma dessas diferenças é que as paredes do coração, na hipertensão, aumentam além do normal em detrimento das câmaras. Ou seja, engrossa as paredes e diminui o compartimento interno, por isso chamada de hipertrofia patológica, (causada por uma doença). A hipertrofia fisiológica, por conta dos exercícios, no caso anaeróbio, já citado, as paredes engrossam mas as câmaras também aumentam.

A gente não precisa fazer exames sofisticados para saber como andam essas modificações. O corpo dá os seus sinais diminuindo a freqüência cardíaca e pressão arterial sistólica e diastólica de repouso.

A hipertensão arterial decorrente da musculação realmente acontece muito mais em função dos treinamentos inadequados, incluindo os excessos, e ou uso e abuso de anabolizantes. Em geral, quem treina tão pesado, de tal forma que as últimas repetições obrigue o bloqueio da respiração, pode correr um risco maior porque essa prática eleva muito a pressão arterial sistólica. Os métodos que exigem esse recurso não são recomendados aos hipertensos já comprovados.

Muita gente ainda faz confusão com fisioculturista e levantadores de peso, associando a elevação da pressão arterial com a musculação.

Fisioculturistas treinam pesado modelando o corpo geralmente procurando harmonia muscular. Por conta disso se preocupam com carga, recuperação e dieta, tanto é que, o percentual de gordura corporal desses atletas são baixos assim como as taxas percentuais de colesterol bom (HDL) e ruim (LDL) similares aos dos fundistas. Já, o objetivo dos levantadores é o desafio de levantar pesos cada vez mais elevados obrigando-os repetidas vezes à respiração bloqueada por período muito maior. Essa prática eleva muito a pressão arterial sistólica e a freqüência cardíaca sem no entanto aumentar o volume de sangue dentro da câmara por conta também do aumento da pressão intratorácica que classicamente limita o retorno venoso. A massa ventricular esquerda aumentada em fisioculturistas é causada tanto pela espessura da parede como pelo tamanho da Câmara. Nos levantadores de peso isso se dá apenas pela parede mais espessa, (Fleck 1999). Portanto, igual à hipertensão.

O perfil lipídico dos levantadores costuma ter como característica menores taxas de HDL e maiores de LDL assim como o percentual de gordura do corpo são bem maiores. Suspeita-se que esses atletas, com uma certa freqüência, recorram aos esteróides anabólicos na busca desesperada de resultados e, segundo Hurley, Seals, Hagberg et al.,1984; Hurley et al.,1987 citado por Fleck 1999 essas drogas diminuem as concentrações de colesterol HDL além de serem responsáveis pelo aumento da pressão arterial porque aumentam os níveis de potássio, de nitrogênio e causam retenção de líquido.

É isso aí moçada da geração saúde. Cuide bem do coração com exercício bem orientado e muito amor. Um coração treinado pode inclusive suportar possíveis "dores de cotovelo", né?

A vez do leitor - Quais as alterações fisiológicas em um indivíduo já adaptado e que tem seu trabalho de musculação periodizado? Paulo

Amigo leitor! O treinamento esportivo segue alguns princípios e a periodização visa uma evolução lenta gradual e progressiva chegando um dia a um limite genético. Quando atinge-se esse patamar, perfeitamente adaptado como você cita, a periodização tem objetivo de manutenção da performance que implica uma boa criatividade na busca da variação do treinamento sem fugir aos fundamentos. Isso porque o "destreinamento" não ocorre apenas quando o sujeito pára de treinar. Fazer sempre a mesma série, os mesmos exercícios com a mesma carga, a performance pode sofrer um prejuízo. Isso é mais evidente na hipertrofia.

Veja a opinião de outros bons profissionais para essa mesma pergunta em http://www.cdof.com.br/consult20.htm#157

Gostaria de saber sobre nodosidades musculares ou encurtamentos do músculo no trabalho de Musculação. Como elas acontecem? Esse encurtamento é mesmo verdadeiro quando trabalhamos errado? Quando trabalhamos um músculo a extensão deve mesmo ser completa? Já li algumas coisas sobre o assunto, mas se possível gostaria de saber mais. Rubens

Amigo Leitor. O treinamento de força, assim como qualquer outro, deve seguir as regras de segurança, exigir conhecimento de quem está orientando e bom senso tanto do profissional como do aluno. Incluindo-se aí a técnica correta de execução de cada exercício que vai desde a respiração até o uso de toda a amplitude do movimento. Isso permite o desenvolvimento da força também em toda a amplitude. Claro que quando se usa um percentual de carga muito alta da Força Máxima a execução pode ficar limitada como no seu exemplo citado. A princípio deve-se usar a extensão completa na fase excêntrica e flexão também completa na concêntrica. Mas se o peso for muito alto de tal forma que o aluno não consiga executar a próxima repetição, não por ter chegado o limite, mas simplesmente porque não consegue sair do pré estiramento? Das duas uma. Ou diminui-se o peso, ou não estende por completo. Não estender por completo não significa ,necessariamente, que o grupo muscular vá ficar encurtado. Nessa situação, fazer um alongamento simples no grupo muscular trabalhado logo após cada série já corrige um possível encurtamento... se houver.

É importante lembrar que a fase excêntrica deve ser controlada, se possível até gastar mais tempo do que a concêntrica, evitando-se ao máximo movimentos bruscos. Isso sim, pode trazer piores conseqüências do que não estender por completo. Enfim, o correto é seguir um planejamento respeitando os princípios que regem o treinamento esportivo: da individualidade biológica, da sobrecarga, da adaptação, da interdependência volume x intensidade, da continuidade, periodizado e orientado por profissionais de Educação Física. Volto a repetir: conhecimento, experiência e, bom senso. Fazendo isso dá pra evoluir "numa boa" e sempre usando a extensão e flexão completa sem problema. Espero ter ajudado. Veja a opinião de outros bons profissionais para essa mesma pergunta em: http://www.cdof.com.br/consult19.htm#152

Para Refletir: Quem participa não cria resistência... e com isso vive melhor.

Sobre a Ética – O profissional de Educação Física pode e deve entender de nutrição, não pode é prescrever dietas e ou recursos ergogênicos. Cada macaco...

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Luiz Carlos de Moraes CREF-1 3529T

E-mail: lcmoraes@petrobras.com.br

  • Atleta fundista há 27 anos
  • Treinador de atletismo há 15 anos.
  • Orienta a maior parte dos maratonistas de Petrópolis, RJ.
  • Dirige a equipe L.C.M.
  • Personal Trainer
  • Ministra aulas de step, ginástica localizada, alongamento e relaxamento em duas academias.
  • É colunista de Fisiologia do Exercício dos jornais: Tribuna de Petrópolis alimentada semanalmente.
  • Assinou por 9 anos a coluna Correndo Atrás, enfocando o mesmo assunto no Jornal Diário de Petrópolis.
  • Na Petrobras coordenou um programa antiestresse, ministrando aulas de step, alongamento, relaxamento, e orientou muitos atletas. Nos eventos de Saúde e Qualidade de Vida ministra palestras sobre atividade física e controle do estresse.
  • Está amparado pela lei 9696 de 1º de setembro de 1998, referente à regulamentação da profissão de Educação Física.

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