ADAPTAÇÕES CARDIOVASCULARES II

Na semana passada começamos a falar sobre as adaptações cardiovasculares durante o exercício e hoje vamos continuar a conhecer os termos ligados ao assunto.

DC Débito Cardíaco - É a quantidade sangue lançada na circulação em um minuto medida em ml. Esse valor depende diretamente da Freqüência Cardíaca e da força e tamanho da câmara cardíaca principalmente o ventrículo esquerdo adaptado fisiologicamente em resposta à atividade física.

DC máx. Débito Cardíaco Máximo É o volume máximo de sangue lançado nas artérias em 1 minuto, diferente do valor anterior que pode ser medido em determinada intensidade de exercício qualquer não sendo necessariamente o máximo.

PAS Pressão Arterial Sistólica É a força ou pressão exercida pelo sangue contra as artérias no momento da contração do ventrículo esquerdo ao ejetar o sangue arterial expressa em milímetros de mercúrio mmHg. Na leitura 1200 mmHg x 800 mmHg, (12 x 8) na linguagem popular represemta o número maior (12).

PAD Pressão Arterial Diastólica É o valor mais baixo da leitura representando a menor força exercida contra as artérias no momento de esvaziamento máximo do ventrículo esquerdo, no exemplo acima o (8).

VEj. Volume de ejeção Ventricular É o volume de sangue lançado em cada contração do ventrículo e isso depende de alguns fatores  tais como: volume de sangue existente nos ventrículos no final da diástole (VDF), a pressão aórtica média e a força da contração muscular.

A principal variável que influencia a VDF é o aumento do retorno venoso que aumenta o volume de ejeção. Essa relação de aumento da força da contração ventricular de acordo com o aumento do VDF ficou conhecida por Lei do coração de Frank-Starling, fisiologistas descobridores desse fenômeno. Esse mecanismo funciona enquanto o exercício for dinâmico. Durante as contrações sustentadas (estáticas), a bomba muscular não pode operar e o retorno venoso é reduzido.

A bomba respiratória também funciona através do padrão rítmico. Durante a inspiração, a pressão intratorácica diminui e a pressão abdominal aumenta. Isso cria um fluxo de sangue venoso da região abdominal para a região torácica com o conseqüente aumento do retorno venoso.

Uma outra variável que afeta o volume de ejeção é a pressão aórtica. Para ejetar o sangue, a pressão gerada pelo ventrículo esquerdo deve ser superior à pressão aórtica sendo o fator final que influencia o volume de ejeção é o efeito da adrenalina / noradrenalina circulante e da estimulação simpática do coração pelos nervos aceleradores cardíacos. Ambos os mecanismos aumentam a contratilidade cardíaca aumentando a quantidade de cálcio disponível para a célula cardíaca

Não resta dúvida que o coração de atletas das modalidades aeróbias tais como corredores de fundo, ciclistas de estrada e esquiadores, principalmente com muitos anos de treinamento,  são os que apresentam maior volume cardíaco. Enquanto no sedentário esse volume não passa de 700 ml, no atleta de resistência pode chegar a mais de 1000 ml. Os atletas, de componentes anaeróbios, Segundo o Dr. Osmar de Oliveira, pode estar em torno de 700 / 800 ml. O maior coração já registrado na literatura médica, citado por Holmann é de um ciclista belga, Rick Van Steenbergn com um volume de 1700 ml. Poucos anos de treinamento, a hipertrofia cardíaca volta ao normal tão logo haja uma parada, mesmo que temporária no treinamento.

As diferenças nas estruturas também ocorrem em função do tipo e ou modalidade de treinamento. Os atletas de modalidades aeróbias têm maior volume e menos peso da massa muscular cardíaca, ao contrário das atividades anaeróbias. Por exemplo: nadadores podem ter volume ventricular de 181 ml e massa de 308g e lutadores volume ventricular de 110 ml e massa 330g.

Para que o sistema cardiovascular apresente um mínimo de adaptações, também é preciso que exista atividade com um mínimo de intensidade e duração. Programas produzindo pouca ou nenhuma resposta são: 1) Intensidade menores que 60% da FCMáx. - Não adianta ficar andando devarzinho o dia todo. 2) Duração menor que 15 minutos. Quem não faz nada, 15 minutos é melhor... e só. Depois não evolui e a diferença para o sedentário é pequena. 3) Exercitar-se menos de duas vezes por semana e nada é quase a mesma coisa.

Existe diferença entre Condicionamento Físico e Treinamento Físico. Sobre isso a gente conversa na próxima semana, combinado?

Para Refletir: O competente também tem suas falhas. A diferença é que ele as aproveita como aprendizado.  

Sobre a Ética   O profissional de Educação Física tem compromisso com o direito fundamental de todas as pessoas à prática da atividade física. Ninguém nos obriga a escolher essa profissão.

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Luiz Carlos de Moraes CREF-1 3529T

E-mail: lcmoraes@petrobras.com.br

  • Atleta fundista há 27 anos
  • Treinador de atletismo há 15 anos.
  • Orienta a maior parte dos maratonistas de Petrópolis, RJ.
  • Dirige a equipe L.C.M.
  • Personal Trainer
  • Ministra aulas de step, ginástica localizada, alongamento e relaxamento em duas academias.
  • É colunista de Fisiologia do Exercício dos jornais: Tribuna de Petrópolis alimentada semanalmente.
  • Assinou por 9 anos a coluna Correndo Atrás, enfocando o mesmo assunto no Jornal Diário de Petrópolis.
  • Na Petrobras coordenou um programa antiestresse, ministrando aulas de step, alongamento, relaxamento, e orientou muitos atletas. Nos eventos de Saúde e Qualidade de Vida ministra palestras sobre atividade física e controle do estresse.
  • Está amparado pela lei 9696 de 1º de setembro de 1998, referente à regulamentação da profissão de Educação Física.

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