MAU USO DOS ANABOLIZANTES

Luiz Carlos de Moraes

Dinheiro, sucesso, carrões, mulheres bonitas... Tudo isso lembra bem as belas imagens que vemos na televisão associadas às propagandas de cigarro. Com os esteróides anabolizantes está acontecendo o mesmo. Para iludir, principalmente os jovens ansiosos em adquirir os músculos poderosos, as propagandas vêm embutidas no rótulo da saúde, muitas vezes vinculados à imagem de artistas "fortões" e famosos. O alvo, são as academias de musculação onde estão, pela lógica, os adeptos à hipertrofia muscular.

Os anabolizantes são medicamentos à base de hormônio masculino testosterona com as características anabólicas (crescimento) e adrogênicas (caracteres sexuais masculino). Segundo a literatura científica, as finalidades são terapêuticas nos casos de tratamento de doenças como as anemias, alguns tipos de câncer, casos de reposição hormonal, atrofias musculares causadas por certos tipos de doenças ou acidentes traumáticos.

Sem dúvida nenhuma os anabolizantes produzem o efeito desejado aos simpatizantes da hipertrofia muscular e força física. O esporte está cheio de casos de vitórias ilícitas ligadas a esses medicamentos. Infelizmente a gente só acaba sabendo dos males quando alguém muito famoso morre como foi o caso da velocista americana Florence Grift Joyner que, embora oficialmente nada tenha sido provado, a suspeita ficou.

Esse outro lado negro da moeda ainda é muito pouco estudado pela ciência, por razões éticas. Não dá para fazer experiência dessa ordem com pessoas. O que existe de concreto são pesquisas feitas através de questionários respondidos por voluntários como o publicado no Internacional Journal of Sports Medicine, 18:557-62, 1992. citado na internet pelo Dr. José Maria Santarém (Médico Pesquisador Doutor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Nas academias do Reino Unido 1667 pessoas responderam ao questionário. Entre os homens interrogados 9,1% usavam drogas anabolizantes contra 2,3% entre as mulheres. As doses chegaram a 34 vezes mais que as terapêuticas e apenas 28% eram atletas de competição. Há quem justifique que paradas temporárias não faz mal. Pois bem. O sistema de ciclos interrompidos foi utilizado por 88% dos usuários e mesmo assim 77% relataram efeitos colaterais do tipo atrofia dos testículos em 56% dos casos, ginecomastia (crescimento das mamas no homem) em 52%, dificuldade para dormir em 37%, hipertensão arterial em 36%, lesões tendinosas em 26%, sangramento nasal em 22% e resfriados freqüentes em 16%... É pouco?

Nas mulheres os relatos foram irregularidades menstruais, hipertrofia do crítoris, diminuição das mamas, engrossamento da voz, acne, queda de cabelos no couro cabeludo e crescimento de pelos masculinos no corpo... É pouco?

Quando as pessoas resolveram parar, relataram tonturas, fraqueza, perda da libido e dores articulares. Reações que acabam levando a reincidência dependente. É pouco? Tem mais... Mesmo os que usaram apenas oito semanas os efeitos foram os mesmos. Cá entre nós. Se o homem faz musculação visando mais saúde e uma aparência mais bonita para também, entre outros objetivos, atrair o sexo oposto, pra que usar anabolizante sabendo que na hora "agá" pode falhar por causa justamente desse remedinho? No mínimo me parece uma grande burrice, não acham?

A musculação bem orientada por profissionais sérios, que usam os métodos e ciclos de treinamentos inteligentes fundamentados na ciência, produz resultados impressionantes... e sem as malditas drogas. De qualquer forma cabe aos profissionais informar os "supostos" benefícios e principalmente os riscos. Influenciar ao uso dos anabolizantes é brincar com a vida das pessoas e por tabela destruir toda uma classe e estabelecimentos cuja função social é zelar pelo estilo de vida saudável. Portanto, a você aluno interessado em obter um corpo bonito e saúde de verdade, procure uma academia com propostas sérias a longo prazo e fuja das pessoas que ofereçam anabolizantes. Normalmente elas se apresentam bem maquiadas parecendo gente de bem. Diga não às drogas... também nas academias!!!

PARA REFLETIR: A qualidade nunca é acidental... É resultado do esforço inteligente em busca da perfeição.

LITERATURA CONSULTADA: 1) Fleck Steven J. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular - 2ª edição - Porto Alegre - R.S. - Editora Artes Médicas Sul Ltda - 1999. 2) Zatsiorsky, Vladimir M. - Ciência e Prática do Treinamento de Força - São Paulo - S.P. - Phorte Editora Ltda, 1999.

3) http://www.saudetotal.com/saude/musvida/anabol.htm

Luiz Carlos de Moraes

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