TEM OU NÃO TEM IMPACTO? EIS A QUESTÃO.

Prezado Moraes - Gostei da matéria sobre hidroginástica publicada na semana passada mas fiquei com uma dúvida quando você fala na relação impacto na hidroginástica e osteoporose. Gostaria de saber se o impacto é suficiente a ponto de ser indicada para quem tem osteoporose. Acho que essa questão ainda é muito polêmica e gostaria, caso responda, que citasse a literatura. Marco Antônio L. da Silva.

Amigo leitor - Você tem razão quando diz ser esse assunto ainda muito polêmico. Entretanto, alguns fatores já são bem estabelecidos e comprovados pela ciência quando se fala em ganho de massa óssea, como por exemplo as ações da gravidade e a muscular. São dois fatores distintos sendo o primeiro mais importante face algumas pesquisas citadas em artigo do Dr. José Maria Santarém: "Pessoas acamadas, mesmo realizando 4 horas diárias de exercício intenso em cicloergômetro, deitado de costas, não conseguiram reverter a perda óssea decorrente da inatividade. Por outro lado, pessoas nas mesmas condições, que conseguiram apenas ficar de pé por três horas diárias, impediram a perda óssea".

Nas missões espaciais, um dos problemas enfrentados tem sido justamente a perda de massa óssea por falta da gravidade. Só fazer exercício nessas condições não tem sido a solução.

No caso da hidroginástica, existem trabalhos em piscinas rasas, mostrando que o impacto gerado com a água na altura do apêndice xifóide (final do esterno - meio de peito), guardada as devidas proporções, pode ser comparado ao ato de caminhar em terra firme. Isto porque o peso corporal da parte fora d'água, somado aos movimentos de saltitos, podem se aproximar ao peso do volume de água responsável pelo efeito do empuxo. Ou seja, o impacto existe e ação da gravidade está lá.

O processo de construção e destruição do osso, respectivamente conhecido por osteoblasto e osteoclasto, assemelha-se ao processo de hipertrofia onde o músculo ao sofrer uma ação do estresse físico, reage produzindo hormônios anabolizantes (crescimento). Se o estresse for muito intenso pode ocorrer o efeito contrário conhecido por catabolismo.

Sabendo-se que os exercícios físicos com impacto estimulam hormônios anabolizantes, entre ele os sexuais, e que as células osteoblásticas, também são estimuladas pela ação hormonal, conclui-se o benefício dessas atividades.

Outro efeito fisiológico descrito na literatura, e com relação ao estímulo elétrico nesse processo. Sendo a elasticidade uma das propriedades do tecido ósseo, as forças mecânicas geram uma corrente elétrica no mesmo sentido da força aplicada conhecida por propriedades piezoelétricas em função da presença de cristais de hidroxiapatita causando a migração dos osteoblastos. Ou seja, a ação mecânica gera corrente elétrica que atrai as células construtoras do osso.

Claro, a hidroginástica não é a atividade mais indicada aos objetivos de "prevenção" da doença. Entretanto, pode ser para "fins terapêuticos" para as pessoas já acometidas em função da segurança. Na caminhada e na corrida entre outros exercícios com impacto, existe o risco de perda de equilíbrio, tropeços, quedas e a fratura, nesse caso com recuperação mais demorada. Caiu porque quebrou ou caiu e quebrou? A maioria dos casos de fratura de fêmur em função da osteoporose, descritos na literatura médica referem-se à primeira hipótese. Caiu porque quebrou.

Uma vez comprovada a melhora da densidade óssea, pode-se passar para a musculação sendo, por assim dizer, a segunda atividade na escala de segurança. O risco de quedas proveniente de choque com pessoas praticamente não existe, a intensidade é controlada e os aparelhos de hoje oferecem posição cômoda e equilibrada permitindo sobrecarga em grupos musculares isolados.

LITERATURA: 1) COOPER, Kenneth H - Controlando a Osteoporose. Ed. Nórdica. R.J. 1991. 2) Fleck Steven J.- Fundamentos do Treinamento de Força Muscular - 2ª edição - Porto Alegre - R.S. - Editora Artes Médicas Sul Ltda. - 1999. 3) MIRANDA, Edalton - Bases de Anatomia e Cinesiologia - Rio de Janeiro R.J. Ed. Sprint, 2000.

4) http://www.osteoporose.med.br/infom.html

5) http://www.saudetotal.com/saude/musvida/porose.htm

6) http://www.scielo.br/

7) Lista de discussão Cevfisio-L@cev.ucb.br

8) http://totalsport.zip.net/colunas/moraes/ed3400.htm

9) www.cdof.com.br/hidrosh.htm

Para Refletir: Nem sempre a gente sai ganhando; nem sempre a perda significa uma derrota. Principalmente quando se tem a consciência de ter sido feito o melhor...

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Luiz Carlos de Moraes CREF-1 3529T

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  • Atleta fundista há 27 anos
  • Treinador de atletismo há 15 anos.
  • Orienta a maior parte dos maratonistas de Petrópolis, RJ.
  • Dirige a equipe L.C.M.
  • Personal Trainer
  • Ministra aulas de step, ginástica localizada, alongamento e relaxamento em duas academias.
  • É colunista de Fisiologia do Exercício dos jornais: Tribuna de Petrópolis alimentada semanalmente.
  • Assinou por 9 anos a coluna Correndo Atrás, enfocando o mesmo assunto no Jornal Diário de Petrópolis.
  • Na Petrobras coordenou um programa antiestresse, ministrando aulas de step, alongamento, relaxamento, e orientou muitos atletas. Nos eventos de Saúde e Qualidade de Vida ministra palestras sobre atividade física e controle do estresse.
  • Está amparado pela lei 9696 de 1º de setembro de 1998, referente à regulamentação da profissão de Educação Física.

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