MALHAÇÃO DENTRO D’ÁGUA

Lá pelos anos 80 a professora de Educação Física Ercy Hanitzch, de São Paulo, veio com uma novidade dos Estados Unidos. Fazer ginástica dentro da água. Numa piscina com água até o peito, a idéia é fazer os movimentos da ginástica localizada ou da aeróbica com as vantagens oferecidas pelo meio líquido, principalmente para a moçada que não gosta de ficar suadinha, né? Alguns alfarrábios atribuem a Cooper essa invenção lá pelos anos 50. Na minha opinião a hidroginástica já nasceu com o ser humano. Já observaram as crianças brincando dentro da água? Elas executam os mais complexos movimentos. Correm, brincam de pega, jogam bola, mergulham aqui e saem ali para se esconderem. No final do dia estão cansadinhas para alívio de algumas mamães.

Por causa das propriedades físicas da água, a hidroginástica, a princípio só tem vantagens. Não sobrecarrega as articulações, oferece a mesma resistência durante todo o movimento (isocinética), a gente faz força na ida e na volta de cada movimento (agônico e antagônico) e ainda é relaxante. É mole? Ninguém sai, digamos... todo dolorido da piscina como pode acontecer com as atividades em terra firme. É uma atividade aeróbia porque a freqüência cardíaca fica a níveis estáveis sem grandes picos e a duração das aulas podem ser de até uma hora.

Se a água oferece maior resistência aos músculos, claro, o aparelho respiratório também tem que fazer mais força exigindo reeducação respiratória por causa da pressão sobre o tórax. Dentro da água não dá para ficar de mau com a vida, por isso a hidroginástica atua no fator psíquico. Pensando bem, dá pra ficar por exemplo corcunda dentro da piscina ou com outros vícios posturais? Também não, né?

O pessoal lá nos EUA gosta mesmo de fazer pesquisa, heim? Correr 400 metros na piscina com água até o peito em termos de consumo de calorias e tempo equivale a 1500 metros em terra firme. Caminhar 4,5 km com água na altura da coxa pode consumir até 460 Kcal. Apesar da água do mar ser mais densa, já experimentou fazer isso na praia? Tente!

A hidroginástica fez parte do plano de treinamento de grandes atletas como as corredoras olímpicas Florence Griffth (falecida), Jackie Kersse e Valerie Brisco. A treinadora Linda Huey da Universidade da Califórnia, na época elaborou um programa específico. Por aqui, há algum tempo, os técnicos ligados ao voleibol e ao futebol adotam essa opção por ser muito eficiente em amenizar as dores tardias e redução de lactato. Aos triatletas em período de transição ou básico do Treinamento Esportivo é uma excelente opção.

As pessoas pertencentes a grupos especiais tais como as gestantes, os obesos e os idosos se beneficiam bastante. Os exercícios de respiração, a parte aeróbia da aula e os localizados preparam melhor física e psicologicamente as futuras mamães. A redução do impacto e as propriedades da água facilita a movimentação do corpo produzindo uma gostosa sensação de capacidade de fazer exercícios sem sofrimento por causa do excesso de peso ou influência da idade. Comumente ouve-se a expressão "Me sinto leve e solto" nos praticantes dessa modalidade. Estudos eletromiográficos no músculo trapézio depois da aula comprovaram um estado de relaxamento na ordem de 50 a 70%. Especialistas advogam que a região do pescoço é a mais sujeita a tensões físicas e emocionais.

No caso das gestantes, dependendo do mês de gestação pode-se até programar exercícios específicos envolvendo a musculatura da cintura pélvica preparatórios para o parto.

A hidroginástica vem sendo utilizada com sucesso, como forma terapêutica nos casos de recuperação de algumas cirurgias, tais como implantação de prótese, ou de doenças como a osteoporose já instalada. O estresse ósseo que estimula as células osteoblásticas, pode ser conseguido com movimentos utilizando braços de alavanca maiores ou equipamentos acessórios que aumentem a resistência na água. A indústria de fitness vem desenvolvendo cada vez mais uma infinidade de equipamentos seguros para melhorar, de forma eficiente, a força e a resistência em todo tipo de atividade. A hidroginástica não escapa disso.

Como qualquer atividade física, essa também segue uma seqüência com fundamento fisiológico: aquecimento, atividade propriamente dita e relaxamento devendo ser orientada por profissionais habilitados e registrados no Conselho Regional de Educação Física.

A indumentária também é importante. Touca opcional para proteger os cabelos e no caso das mulheres maiô inteiro. O biquíni pode não ser muito apropriado porque em determinados movimentos pode uma das peças escorregar e criar situações embaraçosas. Xiiii !!!!

Para Refletir: O medo é o passo para a liberdade e lutar contra ele pode não ser o mais adequado. Torná-lo nosso aliado implica em aprender a pedalar na descida.

Sobre a Ética – Cada profissional de Educação Física é um fiscal do seu próprio comportamento ético perante a sociedade. Disso é que depende a valorização da classe.

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Luiz Carlos de Moraes CREF-1 3529T

E-mail: lcmoraes@petrobras.com.br

  • Atleta fundista há 27 anos
  • Treinador de atletismo há 15 anos.
  • Orienta a maior parte dos maratonistas de Petrópolis, RJ.
  • Dirige a equipe L.C.M.
  • Personal Trainer
  • Ministra aulas de step, ginástica localizada, alongamento e relaxamento em duas academias.
  • É colunista de Fisiologia do Exercício dos jornais: Tribuna de Petrópolis alimentada semanalmente.
  • Assinou por 9 anos a coluna Correndo Atrás, enfocando o mesmo assunto no Jornal Diário de Petrópolis.
  • Na Petrobras coordenou um programa antiestresse, ministrando aulas de step, alongamento, relaxamento, e orientou muitos atletas. Nos eventos de Saúde e Qualidade de Vida ministra palestras sobre atividade física e controle do estresse.
  • Está amparado pela lei 9696 de 1º de setembro de 1998, referente à regulamentação da profissão de Educação Física.

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