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CDD. 20.ed. 574.13 |
AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DE TRIATLETAS |
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Reinaldo Abunasser BASSIT Mara Assis MALVERDI |
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INTRODUÇÃO A nutrição corresponde aos processos gerais de ingestão e conversão de substâncias alimentícias em nutrientes que podem ser utilizados para manter a função orgânica. Esses processos resultam em nutrientes capazes de gerar energia, serem utilizados como substrato sintético e exercerem diversas funções reguladoras no metabolismo celular (Wolinsky & Hickson, 1996). A dieta adequada é aquela capaz de repor os metabólitos consumidos para a geração de energia, assim como, garantir aporte suficiente de substratos para os processos de síntese envolvidos na manutenção da estrutura corporal. Esta dieta, porém, está longe ainda da dieta ideal, aquela capaz de fornecer substratos para o desenvolvimento pleno do potencial do indivíduo, garantindo-lhe melhor desempenho físico e mental, assim como, maior resistência a infecções e doenças (Krause & Mahan, 1991). O aumento do desempenho através de modificações na dieta tem sido alvo de interesse de atletas desde os mais remotos tempos. Mais recentemente, a participação de atletas em eventos esportivos de ultra-resistência, como maratona e "triathlons", tem aumentado a atenção despendida para o papel da nutrição sobre a "performance". Os diversos estudos na área da nutrição esportiva ampliaram sobremaneira o conhecimento sobre o papel dos nutrientes e, consequentemente da suplementação nutricional aplicada à atividade física e ao treinamento (Lamb, Knuttgen & Murray, 1994; Newsholme & Leech, 1983; Newsholme, Leech & Duester, 1994; Williams, 1995). Além de servir como meio fundamental para reposição dos estoques de substratos energéticos gastos durante a atividade, como carboidratos, proteínas e lípides, para citarmos somente os macronutrientes, através da dieta outros aspectos como a fadiga central, a cognição e a resposta imune também podem ser alterados (Newsholme & Leech, 1983; Newsholme et alii, 1994). Os efeitos e possibilidades da suplementação de carboidratos são conhecidos e estudados desde a década de 60, quando foi descrita pela primeira vez a estratégia conhecida como supercompensação (Wolinsky & Hickson, 1996). Este tipo de dieta foi utilizado com sucesso por muitos atletas durante provas com mais de uma hora de duração e alta intensidade, onde a utilização de carboidratos como fonte energética é determinante da "performance" (Newsholme et alii, 1994). Desde esta época, a maior enfâse vem sendo dada à suplementação de carboidratos. Hoje, sabe-se que a ingestão de carboidratos durante provas longas mantém o rendimento elevado, e que a utilização desta estratégia durante os treinos permite ao atleta trabalhar com maior carga por mais tempo. As estratégias possíveis são variadas e específicas (Lamb et alii, 1994). Os lípides, por sua vez, constituem uma classe de nutrientes que não necessitam de suplementação quantitativa, pelo contrário, na maioria das vezes sabe-se que a melhoria dos resultados está relacionada com a redução da sua ingestão (Linder, 1991; McArdle & Katch, 1994). É fato, porém, que estudos recentes demonstram que a escolha do tipo preponderante de ácido graxo na dieta tem implicações no desempenho do atleta não só diretamente, como também, a partir da melhoria da saúde do mesmo, que invariavelmente se reflete em melhores desempenhos durante os treinos, assim como, melhor recuperação entre duas sessões de exercício. Muito embora a suplementação de lípides não seja interessante, devido aos seus elevados estoques endógenos (um maratonista seria capaz de correr os 42 km da prova em cerca de 210 minutos consumindo quantidades irrisórias de gordura, caso utilizasse somente lípides como fonte energética) (Newsholme & Leech, 1983; Newsholme et alii, 1994), diversos aspectos do seu metabolismo podem ser otimizados a partir da dieta e do treinamento. O terceiro macronutriente, as proteínas, tem sido alvo de estudos principalmente em função do seu papel estrutural. De fato, embora as proteínas sejam degradadas e aminoácidos como a leucina sejam oxidados durante a atividade física intensa, seu papel na geração de energia não é tão significativo quanto aquele desempenhado pelos ítens anteriores (Newsholme & Leech, 1983; Newsholme et alii, 1994; Wolinsky & Hickson, 1996). Os aminoácidos, porém, podem desempenhar outras funções de extrema importância para a prática da atividade física, relacionadas diretamente com o treinamento. Entre estas, destaca-se o controle da fadiga central, pelo mecanismo de competição entre os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) e o triptofano, pelo mesmo transportados na barreira hematoencefálica; o papel dos aminoácidos como potencializadores da atividade do ciclo de Krebs, assim como, seus efeitos indiretos sobre o sistema imune, reconhecidamente um dos principais sistemas envolvidos no controle da homeostase (Newsholme & Leech, 1983; Newsholme et alii, 1994). Fica evidente, assim, que conhecer apropriadamente as diversas formas e implicações da manipulação dietética é, hoje, importante diferencial na "performance" de atletas, notadamente atletas de elite. O desafio de melhorar o rendimento pela dieta alcança um de seus ápices quando falamos de provas de longa duração e alta intensidade, que permitem manobras integradas e melhor visualização dos efeitos obtidos. Dentre as provas que mais se enquadram na definição anterior encontra-se o "triathlon", surgido na forma do "Ironman", em 1977, a partir de uma aposta entre amigos e hoje é um dos eventos mais populares (Domingos Filho, 1995). Na década de 80 foram definidas as dimensões do "triathlon", assim como, foram criadas a maioria das federações, paralelamente à extensiva popularização do esporte. Em função das características de relevo e clima, o Brasil é hoje a quarta potência mundial no esporte. Com a popularização do "triathlon" e a busca de resultados, ligados diretamente aos patrocínios e salários dos atletas, cresceu a demanda por técnicas e estratégias capazes de elevar ao máximo a "performance" (Domingos Filho, 1995). Em termos fisiológicos, durante o "triathlon" o atleta utiliza elevadas concentrações de carboidratos e ácidos graxos e sofre considerável grau de proteólise (Kremer & Engelhardt, 1989). A manutenção de concentrações plasmáticas adequadas de glicose durante a prova é obtida pela ingestão de líquidos reidratantes e de carboidratos na forma de polímeros e/ou barras, como forma de garantir a manutenção da "performance". Por se tratar de uma prova longa, a utilização concomitante de ácidos graxos como substrato energético, permite ao organismo manter a glicemia com maior facilidade, reduzindo o "stress" provocado pela variação glicêmica e aumentando o tempo de resistência à fadiga (Newsholme & Leech, 1983). A suplementação com triglicerídeos de cadeia média não produziu efeito positivo sobre a "performance", restando aos atletas a possibilidade de modulação dos processos oxidativos de lípides pelo treinamento. A alta intensidade da prova ligada à sua duração leva o atleta a sofrer proteólise muscular. A reposição correta dos aminoácidos após a prova tem sido fator importante na melhoria da recuperação. No tocante à suplementação de aminoácidos outro aspecto importante diz respeito ao "controle" da fadiga central. De fato, em provas como o "triathlon" o aumento no consumo (oxidação) de BCAA pelo músculo leva a um aumento no transporte de triptofano para o sistema nervoso central (SNC), uma vez que o triptofano e os BCAA competem, neste sítio, pelo mesmo transportador. Outro aspecto que agrava este fenômeno está relacionado com o aumento da mobilização de ácidos graxos induzida pelo exercício aeróbio. O ácido graxo livre compete com o triptofano pelos sítios de ligação na albumina, colaborando, nesta situação, para o deslocamento do triptofano ligado, aumentando, consequentemente o triptofano livre. Desta forma, segundo a hipótese levantada pelo grupo do Prof. E.A. Newsholme, o aumento do triptofano livre e a queda nas concentrações plasmáticas de BCAA seriam os responsáveis pela fadiga central (Newsholme & Leech, 1983; Newsholme et alii, 1994). Fica claro, portanto, que não só a adequação da dieta, mas por vezes a suplementação, estão ligadas com a melhoria do rendimento esportivo e também com a manutenção da qualidade de vida do atleta. Por ser uma modalidade esportiva nova, existe ainda uma lacuna na área de conhecimentos específicos sobre o esporte e seus praticantes no Brasil. Sabendo que os aspectos nutricionais e de suplementação destes atletas são importantes para o bom rendimento dos mesmos, e que outro componente importante ligado à "performance" diz respeito ao somatotipo dos atletas, e à sua composição corporal, notadamente à relação massa gorda/massa magra, propusemo-nos a estimar o gasto e a necessidade energética diária de praticantes de "triathlon", assim como, avaliar o percentual de gordura corpórea, seus conhecimentos na área de nutrição, e a adequação das suas dietas ao treinamento. Leia o Resumo do trabalho. |
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Reinaldo Abunasser BASSIT |
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CRN - 6845 Formação Profissional
Atividades Profissionais
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Mara Assis MALVERDI |
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CRN - 6844 Formação Profissional
Atividades Profissionais Área de Educação Física
Área de Nutrição
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