Creatina (Parte-1)

Resumo

 

Reinaldo Tubarão Bassit
Mara Assis Malverdi
(Nutricionistas da Total Nutrition)

Nosso organismo necessita receber um suprimento de energia contínuo, e essa energia é proveniente da alimentação. As células transformam a energia térmica em energia química, das moléculas dos nutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas), utilizando apenas essa última para o trabalho celular, dessa forma, reduzindo a perda de energia na forma de calor.

O ATP (trifosfato de adenosina) é a maneira pela qual o organismo disponibiliza a energia dos nutrientes em energia química. A hidrólise do ATP, é uma reação rápida e anaeróbica (ocorre com ou sem a disponibilidade de oxigênio), permitindo a liberação de energia para uso imediato. Esse processo libera uma molécula de fosfato formando um composto denominado de ADP (difosfato de adenosina). Quando o ATP libera 2 moléculas de fosfato, forma-se o AMP (monofosfato de adenosina). Esse composto é armazenado em pequenas quantidades nas células e essa molécula não pode ser fornecida através do sangue, sendo que sua concentração está confinada a uma ressíntese contínua. A quantidade total de ATP é suficiente para a manutenção de um exercício físico máximo por apenas alguns segundos, principalmente nos momentos iniciais, ou numa situação onde seja exigido uma contração muscular rápida e explosiva. A ressíntese de ATP ocorre a partir de outro composto de alta energia denominado CP (fosfato de creatina), sendo esse essencial durante a passagem de uma baixa para uma alta demanda energética.

A hidrólise do CP aciona a ressíntese de ADP, onde houver energia em quantidades suficientes, a creatina (C) e o fosfato (P) podem novamente formar o CP.

A creatina ou ácido metil acético-guanidina foi identificada em 1835, e sua suplementação tomou popularidade a partir dos Jogos Olímpicos de 1992. Esse composto é encontrado em abundância no músculo esquelético, e sua quantidade no homem com um peso médio de aproximadamente 70kg, é de cerca de 120g . Além de estar presente nos alimentos, principalmente os de origem animal (carnes em geral), a creatina pode ser sintetizada, no fígado, através de 3 aminoácidos (Glicina, Arginina e Metionina), onde 95% do seu total se encontra estocada na musculatura esquelética e, aproximadamente 60%, se encontra na forma de fosfato de creatina (CP).

A suplementação oral de creatina parece diminuir sua produção endógena, mas essa diminuição é revertida quando a suplementação é interrompida. A quantidade de creatina corporal é relativamente instável, com uma reposição diária de aproximadamente 2g, e depende de fatores como: ingestão pela dieta, idade, sexo, e quantidade de massa muscular.

A creatinina é o único produto final da degradação de creatina, e o músculo esquelético é o principal sítio de produção.

A ingestão de 20g de creatina/dia, durante um período de 5 dias, pode elevar em mais de 20% a concentração total de creatina muscular, da qual aproximadamente 20%, está na forma de fosfato de creatina.

Indivíduos que apresentam perdas nas concentrações de creatina muscular (exemplo: vegetarianos) respondem melhor à suplementação. Recentes estudos demonstram que o maior consumo de creatina pelos tecidos ocorre nos primeiros dias de suplementação. Dessa forma, a sobrecarga de 20g de creatina/dia, durante 6 dias, e 2g/dia como dose de manutenção, parece ser a maneira mais rápida de se aumentar o conteúdo muscular de creatina.

Esse efeito é amplificado quando a creatina é ingerida junto com carboidratos, aumentando sua retenção muscular cerca de 60% quando comparado com a ingestão apenas de creatina. O músculo tem um limite superior para armazenamento desse composto significando que, uma vez atingido esse limite, a concentração de creatina não irá aumentar mesmo que se ingira altas doses.

Dentro do músculo, o CP é utilizado para regenerar o ATP a partir do ADP, dessa forma, a utilização do CP pode ser um fator limitante para a performance muscular, durante exercícios de alta intensidade e de curta duração, quando a suplementação de creatina poderia auxiliar no aumento da concentração da CP, tendo um efeito ergogênico, auxiliar para esse tipo de atividade física.

Nos próximos artigos serão discutidos aspectos como: os diferentes sistemas energéticos que atuam durante o exercício físico; a suplementação de creatina como agente ergogênico na performance física; e os riscos associados à suplementação de creatina

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. MAUGHAN, R.J.; Nutrition in Sport . Oxford, UK., cap. 27, 2000.

2. WILLIAMS, M.H.; KREIDER, R.B.; BRANCH, J.D. Creatine - the power supplement. Human Kinetics, USA., 1999.

3. RONALD, L.; CLARKSON, P.; RICHNER, E.R.; GREENHALFF, P.L.; HESPEL, P.J.; ISRAEL, R.G.; KRAEMER, W.J.; MEYER, R.A.; SPRIET, L.L.; TARNAPOLSKY, M.A.; WAGENMAKERS, A.J.M.; WILLIAMS, M. H. The physiological and health effects of oral creatine supplementation. Medicine & Science In Sport & Exercise, Indianapolis, IN., 1999.

Artigo Completo Click Aqui.

 

  • Leia outros trabalhos aqui.

 

 

Reinaldo Abunasser BASSIT

 

 

CRN - 6845

Formação Profissional

  • Professor de Educação Física - Universidade de São Paulo - Escola de Educação Física. (EEFUSP) - 1988-1991.
  • Nutricionista - Universidade Anhembi Morumbi - 1993 - 1996
  • Mestrado - Universidade de São Paulo - Instituto de Ciências Biomédicas. (ICB- USP). Laboratório de Metabolismo
    • Ano de entrada: 1998
    • Previsão de Conclusão: 2000

Atividades Profissionais

  • Professor de Natação e Hidroginástica Período: 2º semestre de 1990
  • Preparação Física Individual (Personal Training) Período: 1989 a 1997
  • Professor de Musculação e Condicionamento Físico Período: 1992 a 1995
  • Coordenador de Natação e Hidroginástica Período: 1994
  • Avaliação e Orientação Nutricional dos Atletas Olímpicos
    • Roberto Scheidt
    • Aurélio Miguel
    • Daniele Zangrando
    • Cristiane Parmiggiane
    • Henrique Guimarães
    • Leandro Macedo
    • Mariana Ohata
  • Orientador Nutricional e Avaliador da Composição Corporal de Times Profissionais.
  • Olympikus Telesp (voleibol) 1995 e 1997
  • Sport Clube Banespa (voleibol) 1996 e 1997.
  • Sport Club Corinthians Paulista (Futebol) 1997
  • Portuguesa Futebol Clube 1997.
  • São Paulo Futebol Clube 1995 e 1996.
  • Preparador Físico das Equipes Masculina e Feminina de Handebol Profissional de Osasco. Período: 1997. (Campeão Brasileiro com a Equipe Feminina).
  • Nutricionista da Equipe Brasileira de Duplas na Travessia da Race Across América 98. Período: 1998. (O Brasil foi campeão pela primeira vez obtendo o record na categoria com o tempo de 7 dias e10 horas.)
  • Consultório particular (desde 1997)

 

Mara Assis MALVERDI

CRN - 6844

Formação Profissional

  • Professora de Educação Física - Universidade de São Paulo - Escola de Educação Física. (EEFUSP) - 1988-1991.
  • Nutricionista - Universidade Anhembi Morumbi - 1993 - 1996

Atividades Profissionais

Área de Educação Física

  • Professora de Ed. Física Escolar (1992-1994)
  • Professora de Natação e Hidroginástica (1992-1994)
  • Professora de Ginástica (1992-1994)
  • Coordenadora de atividades aquáticas (1994)

Área de Nutrição

  • Atendimento em clínicas médicas (1997-1998)
  • Atendimento em academias:
    • Master Academia (1997 - 1998)
    • Raia 4 Morumbi (1997-2000)
    • Raia 4 Moema (1997-2000)
    • Kainágua Fitness (desde 1998)
    • Aquademia Sports (1998-1999)
    • Consultório particular (desde 1997)

 

Entre em contato: