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L- Carnitina
(Parte-1)

 

Reinaldo Tubarão Bassit
Mara Assis Malverdi
(Nutricionistas da Total Nutrition)

A L-Carnitina, elemento que faz parte do hall dos chamados fat burners, é um constituinte natural dos organismos superiores e, em particular células de origem animal. É uma amina quaternária sendo conhecida quimicamente como ácido b-Hidroxi–c-N,N,N-trimetil-aminobutírico. Sua estrutura química foi identificada no final dos anos 20. Posteriormente, atribuiu-se maior atenção a esse composto quando foi demonstrado, por volta da década de 50, sua importância para o crescimento de anelídeos. Mais tarde, foi demonstrado seu importante papel no transporte intramitocondrial de gorduras, principalmente os ácidos graxos de cadeias longas, num processo de acetilação reversível, pela acetil-coenzima A (acetil-CoA).

Sabe-se que apenas o isômero L é biologicamente ativo existindo nos sistemas biológicos na forma esterificada e não esterificada .Em condições normais, sua presença nas células e nos fluídos biológicos é predominantemente na forma esterificada, sendo que os ácidos graxos de cadeia longa apenas atingem a mitocôndria (local de oxidação "queima") na forma de ester de acetilcarnitina.

A Carnitina é sintetizada a partir de dois aminoácidos essenciais ( aqueles que o organismo não pode sintetizar ou o fazem em quantidades insuficientes) Lisina e Metionina, num processo dependente das vitaminas hidrossolúveis ascorbato, niacina e piridoxina, e do íon ferroso. Em humanos, os principais sítios de produção desta amina são o fígado e os ríns, sendo que os tecidos como o músculo esquelético e o cardíaco, os quais dependem da oxidação de ácidos graxos, são altamente dependentes do transporte dessa amina desses sítios de produção.

Apesar de ocorrer síntese endógena de carnittina, cerca de 75% é obtida através da alimentação onde é absorvida por mecanismos ativos e passivos, aproximadamente até 87% de sua ingestão total. As principais fontes são as carnes, ovos, peixes e leite. A deficiência de carnitina pode ser induzida por dietas que utilizam apenas cereais e grãos, ou outras fontes de proteínas vegetais, as quais são relativamente deficientes em lisina e metionina, seus aminoácidos precursores.

Os sintomas e deficiências de carnitina, são observados mais claramente em indivíduos que apresentam desordens hereditárias incomuns. Nesses, o metabolismo lipídico é o mais afetado resultando em acúmulo de gorduras nos músculos, e anormalidades funcionais nos músculos cardíaco e esquelético. Essas desordens são manifestadas pelas baixas concentrações de carnitina no plasma, músculo, e fígado, e os sintomas incluem fraqueza muscular, cardiomiopatias, função hepática anormal, cetogênese prejudicada, e hipoglicemia durante o jejum.

A quantidade total de carnitina estocada no adulto de tamanho médio do sexo masculino, com aproximadamente 30 kg de massa muscular, gira em torno de 20 a 25g, sendo que sua excreção urinária diária é de aproximadamente 15 a 50 mg.

Nota-se que os rins reabsorvem, de seu filtrado, a maior parte da carnitina ( aproximadamente 90%) garantindo a concentração plasmática desta amina. Em pacientes com problemas renais, que são submetidos à hemodiálise, a suplementação com carnitina se torna uma necessidade devido às grandes perdas ocorridas. Esse estado reflete nas baixas concentrações plasmáticas de carnitina encontradas nesses invivíduos.

Além do seu importante papel como carreador dos ácidos graxos para dentro das mitocôndrias e , consequentemente geração de energia, a carnitina e seus ésteres parecem desempenhar outras funções tais como:

  • sua administração farmacológica reduz a mortalidade e as conseqüências metabólicas em ratos com intoxicação aguda pela amônia;
  • pode aumentar a síntese de uréia no fígado, facilitando a entrada de ácidos graxos na mitocôndria, desta forma, aumentando a oxidação de gorduras (b -oxidação) e consequentemente energia na forma de ATP;
  • é atribuído a esta amina, a capacidade de proteção contra isquemia cardíaca talvez pelo seu efeito seqüestrador de radicais livres ou por sua capacidade de quelar o ferro prevenindo a formação destes compostos;
  • pode aumentar a função contrátil do coração;
  • proporciona efeitos benéficos protegendo contra as isquemias induzidas por disfunção do miocárdio (músculo do coração) em humanos com angina pectoris.
  • aumenta a tolerância ao estresse sofrido pelo coração
  • diminue as concentrações de LDL e aumentam a fração de HDL circulantes

A necessidade de carnitina em adultos é satisfeita pelas fontes dietéticas e pela síntese endógena. Contudo, recém nascidos com baixo peso e de pré-termo são considerados indivíduos com alto risco de apresentarem deficiência de carnitina, portanto podem se beneficiar com a suplementação desta amina. Populações de terceiro mundo, as quais consomem cereais e grãos com fonte primária de alimento, podem desenvolver deficiência de carnitina. Também, sabe-se que atletas engajados em atividades físicas de longa duração (triathlon, maratona, e outros), cujo metabolismo aeróbio está aumentado, podem apresentar redução nas concentrações fisiológicas de carnitina.

Pelo visto, até agora, fica claro a importância da carnitina no metabolismo das gorduras, e a dependência de vários tecidos do organismo, em particular o músculo esquelético e cardíaco, por esta amina. No entanto, o seu papel como queimador de gorduras ("Fat Burner"), assim como, o seu efeito na performance atlética através do efeito chamado "Glicogen Sparing", merecem ser analisados com melhor atenção, e serão alvo de nossa discussão na próxima edição.

Referências Bibliográficas

      1. Broquist, H.P. (1994). Carnitine. In: Modern nutrition in health and disease. ED. M. E. Shils, J. A. Olson and m. Shike, 8TH edition, Lea & Febiger, Philadelphia.

      2. Cederblad, G. (1987). Effect of diet on plasma carnitine levels and urinary carnitine excretion in humans. Am. J. Clin. Nutr. 45, pp. 725-729.

      3. Ceretelli, P & Marconi, C. (1990). L-carnitine supplementation in humans. The effects on physical performance. Int. J. Sports Med, vol. 11, 1, pp. 1-14.

      4. Friedman, S. & Fraenkel, G. (1955). Reversible enzymatic acetylation of carnitine. Arch. Biochem. Bhyophys., 59, pp. 491-501.

      5. Fritz, I.B. (1955) The effects of muscle extracts on the oxidation of palmitic acid by liver slices and homogenates. Acta Physiol. Scand, 34, pp. 367-85.

      6. Goodman & Gilman’s. (1996) The pharmacological basis of therapeutics, 9º ed.

      7. Rebouche, C.J.; Paulson, D.J.(1986) Carnitine metabolism and Function in humans. Ann. Ver. Nutr., 6, pp 41-66.

 

  • Leia outros trabalhos aqui.

 

 

Reinaldo Abunasser BASSIT

 

 

CRN - 6845

Formação Profissional

  • Professor de Educação Física - Universidade de São Paulo - Escola de Educação Física. (EEFUSP) - 1988-1991.
  • Nutricionista - Universidade Anhembi Morumbi - 1993 - 1996
  • Mestrado - Universidade de São Paulo - Instituto de Ciências Biomédicas. (ICB- USP). Laboratório de Metabolismo
    • Ano de entrada: 1998
    • Previsão de Conclusão: 2000

Atividades Profissionais

  • Professor de Natação e Hidroginástica Período: 2º semestre de 1990
  • Preparação Física Individual (Personal Training) Período: 1989 a 1997
  • Professor de Musculação e Condicionamento Físico Período: 1992 a 1995
  • Coordenador de Natação e Hidroginástica Período: 1994
  • Avaliação e Orientação Nutricional dos Atletas Olímpicos
    • Roberto Scheidt
    • Aurélio Miguel
    • Daniele Zangrando
    • Cristiane Parmiggiane
    • Henrique Guimarães
    • Leandro Macedo
    • Mariana Ohata
  • Orientador Nutricional e Avaliador da Composição Corporal de Times Profissionais.
  • Olympikus Telesp (voleibol) 1995 e 1997
  • Sport Clube Banespa (voleibol) 1996 e 1997.
  • Sport Club Corinthians Paulista (Futebol) 1997
  • Portuguesa Futebol Clube 1997.
  • São Paulo Futebol Clube 1995 e 1996.
  • Preparador Físico das Equipes Masculina e Feminina de Handebol Profissional de Osasco. Período: 1997. (Campeão Brasileiro com a Equipe Feminina).
  • Nutricionista da Equipe Brasileira de Duplas na Travessia da Race Across América 98. Período: 1998. (O Brasil foi campeão pela primeira vez obtendo o record na categoria com o tempo de 7 dias e10 horas.)
  • Consultório particular (desde 1997)

 

Mara Assis MALVERDI

CRN - 6844

Formação Profissional

  • Professora de Educação Física - Universidade de São Paulo - Escola de Educação Física. (EEFUSP) - 1988-1991.
  • Nutricionista - Universidade Anhembi Morumbi - 1993 - 1996

Atividades Profissionais

Área de Educação Física

  • Professora de Ed. Física Escolar (1992-1994)
  • Professora de Natação e Hidroginástica (1992-1994)
  • Professora de Ginástica (1992-1994)
  • Coordenadora de atividades aquáticas (1994)

Área de Nutrição

  • Atendimento em clínicas médicas (1997-1998)
  • Atendimento em academias:
    • Master Academia (1997 - 1998)
    • Raia 4 Morumbi (1997-2000)
    • Raia 4 Moema (1997-2000)
    • Kainágua Fitness (desde 1998)
    • Aquademia Sports (1998-1999)
    • Consultório particular (desde 1997)

 

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