TREINAMENTO DA RESISTÊNCIA DE FORÇA PARA ATLETAS FUNDISTAS

Prof. Marcelo Augusti

Para a realização de atividades que requerem um longo tempo de execução, caso das corridas de fundo no Atletismo, a qualidade física principal a ser desenvolvida pelo atleta é a resistência aeróbia, ou endurance cardiorrespiratória.

Entretanto, na metodologia de treinamento do atleta fundista, a resistência aeróbia não deve ser desenvolvida apenas através da realização de percursos longos (até 2 horas) e de moderada intensidade (FC entre 130-150 bpm).

Os métodos de treinamento devem ser variados, observando-se a aplicação pedagógica de cada um deles, conforme o estágio de desenvolvimento individual do atleta e, ainda, de acordo com os objetivos da periodização dos ciclos de trabalho.

Assim sendo, para melhorar o resultado competitivo do atleta fundista, não somente a capacidade cardiorrespiratória deve ser desenvolvida e aprimorada, mas a força muscular irá constituir-se num fator que, se devidamente explorado, permitirá ao atleta um nível de resistência superior ao de seus adversários.

Para o desenvolvimento da força muscular específica do atleta fundista, utilizamo-nos de meios e métodos de treinamento que visem o desenvolvimento da resistência de força.

A resistência de força pode ser definida como a capacidade do atleta em executar um número elevadíssimo de contrações musculares em ritmo constante e durante um longo tempo, resistindo á fadiga.

O treinamento da resistência de força provocará nos músculos adaptações funcionais e morfológicas específicas para o trabalho de longa duração, como o aumento das reservas energéticas, aumento do conteúdo das mitocôndrias e maior eficiência das células na extração do oxigênio do sangue.

Também ocorrem adaptações em relação aos mecanismos neuromusculares, representado pela melhora da coordenação intra e intermuscular (maior número de unidades motoras ativadas e redistribuição da atividade mecânica dos grupos musculares envolvidos no movimento).

Com o desenvolvimento da resistência de força, pretende-se que um número elevado de contrações musculares sejam realizadas durante um longo tempo e em maior velocidade, sendo a energia necessária para esse trabalho, proporcionada pelo metabolismo oxidativo. Assim, as adaptações provenientes do treinamento da resistência de força proporcionam ao atleta uma maior velocidade no ritmo de deslocamento e, consequentemente, a melhora do resultado competitivo.

Portanto, o atleta estará apto a desenvolver maior velocidade de deslocamento, às custas de sua capacidade metabólica oxidativa, não recorrendo aos processos anaeróbios que, em pouco tempo, esgotam suas reservas de energia e acumulam as toxinas geradas pelo metabolismo glicolítico.

Os meios de preparação para o desenvolvimento da resistência de força são:

  • Treinamento em circuito;
  • Exercícios com pesos (halteres/aparelhos);
  • Preparação especial de força..

A escolha de cada meio de preparação e quando aplicá-lo estará a critério do treinador, que deverá obedecer as leis biológicas e pedagógicas que regem o Treinamento Desportivo.

Entretanto, como ilustração, aqui vai um exemplo do treinamento da resistência de força durante um mesociclo da fase de preparação básica, para ser executado duas vezes por semana:

SEMANAS

MEIO DE PREPARAÇÃO

FORMA DE APLICAÇÃO

1a semana

 

Treinamento em Circuito

8-12 estações, intercalando 30" de execução com 30" de pausa, 2 passagens.

2a semana

 

IDEM

8-12 estações, intercalando 30" de execução com 30" de pausa, 3 passagens.

3a semana

 

IDEM

8-12 estações, intercalando 30" de execução com 30" de pausa, 4 passagens.

4a semana

IDEM

8-12 estações, intercalando 30" de execução com 30" de pausa, 1 passagem.

Os exercícios selecionados devem obedecer as características da preparação geral (multilaterais e alternado-se os grupos musculares), pois esse forma de treinamento é a base para o aprimoramento da resistência de força.

Na preparação do atleta fundista, portanto, não devemos deixar de lado o treinamento da resistência de força, pois ela representa um componente fundamental para a melhora do resultado competitivo. Entretanto, devemos considerar que:

  1. Os meios de desenvolvimento da resistência de força exigem um aumento considerável no volume de treinamento (número elevado de séries e repetições). Esse aumento não deve ser brusco, mas gradual e constante pois, caso contrário, os efeitos serão contrários ao esperado;
  2. Com o treinamento da resistência de força, os ganhos em hipertrofia são quase nulos; o que se pretende é o desenvolvimento do potencial motor do atleta, representado pela melhora da coordenação e ampliação da velocidade de deslocamento.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  • DANTAS, E H.M. A Prática da Preparação Física. 3a edição. Rio de Janeiro: Shape, 1995.
  • FLECK, S e KRAEMER, W. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular. 2a edição. Porto Alegre: Artmed, 1999.
  • HARRE,D e LEOPOLD,W. A resistência de força (II). Treino Desportivo. II Série – no 16, junho, 1990.
  • VERKOCHANSKY, I. Preparação de Força Especial: modalidades cíclicas do desporto. Rio de Janeiro: Palestra Sport, 1995.
  • ZAKHAROV, A . Ciência do Treinamento Desportivo. Rio de Janeiro: Palestra Sport, 1992.
  • WEINECK, J. Biologia do Esporte. São Paulo: Manole, 1991.
  • WEINECK, J. Manual do Treinamento Esportivo. São Paulo: Manole, 1989.

Prof. Marcelo Augusti

  • Graduado em Educação Física pela ESEF, Jundiaí;
  • Pós-graduado em Fisiologia do Exercício e Treinamento Desportivo, pela UNIFESP – Escola Paulista de Medicina;
  • Personal trainer de atletas fundistas em Franco da Rocha, SP.

E-mail: aaugusti@ig.com.br