BIOMECÂNICA DO CICLISMO

Prof. Esp. Marco Angelo Barbosa

O princípio básico da pedalada é desenvolver movimentos circulares e suaves, apresentando uma regularidade de aplicação de força sobre os pedais ao longo de todo o ciclo.

A maioria dos ciclistas pensam estar pedalando segundo este princípio, ma estão aplicando força no sentido vertical como um pistão. A aplicação de força seguindo um movimento como "pistão" usa somente o grupo muscular que realiza a extensão de coxa: os glúteos. Nesta movimentação o grupamento muscular que realiza extensão "quadríceps", localizado na região anterior da coxa e; flexão do joelho "jarrete", localizado na região posterior da coxa; assim, a articulação do joelho atua apenas como uma mera dobradiça, pois a continuação do movimento é realizado por inércia até o ponto para aplicação de força, novamente pelos extensores da coxa. Quando contraído, realizando movimentos em círculos os músculos trabalham em coordenação com as alavancas do pedal, proporcionando força constante durante todo o trajeto (TOWN, 1988). Assim, utilizando um movimento circular o trabalho da musculatura extensora de coxa é facilitado pela introdução dos movimentos de flexão e extensão dos joelhos em determinadas fases do ciclo dos pedais.

O torque máximo inicia-se pouco além do ponto mais alto atingido pelos pedais e começa a perder potência pouco após o ponto em que o pedal atinge a posição horizontal. Antecedendo a atuação dos extensores de coxa, observa-se a ação dos quadríceps que realiza a extensão dos joelhos. O quadríceps começam a aplicar força sobre os joelhos, no sentido horizontal para frente, a partir da posição "11 horas", fazendo uma analogia aos ponteiros do relógio. Ao entrar no quadrante seguinte, os glúteos passam a contribuir para o movimento na forma de um torque, simultaneamente direcionado para frente e para baixo.

Quando a alavanca do pedal esta à frente e ultrapassa a linha horizontal os quadríceps deixam de participar do movimento, pois, o avanço do pedal para frente já atingiu seu ponto máximo. Neste momento o quadríceps devem suavizar sua aplicação de força e, permitir que um novo grupamento muscular passe a aplicar força sobre os pedais, a partir da posição "4 horas". Uma puxada para trás e realizada, então, para completar a força descendente a essa altura ainda aplicada pelos extensores de coxa. Esse torque adicional é criado, pela contração do grupamento muscular que realiza a flexão dos joelhos.

Os flexores do joelho iniciam a puxada da alavanca do pedal para trás, aproximadamente um ponto entre as posições 4 e 7 horas. Durante o ponto em que a musculatura flexora do joelho estão agindo os glúteos relaxam, pois a força descendente perde efeito quando os pedais atingem uma posição entre 4 e 5 horas.

Portanto, há três grupos musculares distintos envolvidos na correta mecânica da pedalada: o quadríceps iniciam o movimento na posição11 horas; a altura da posição 1 hora os glúteos passam a contribuir para o movimento; por volta da posição 3 horas a participação dos quadríceps é finalizada; os flexores do joelho, então assumem o movimento e conduzem os pedais até a posição em torno de 7 ou horas. A medida que a musculatura posterior de coxa vai diminuindo sua atuação o quadríceps começam a contrair-se novamente (fig.1).

 

Direção da rotação dos pedais

 

Escala 2,76 kgf

 

fig.1. Direção e intensidade das forças exercidas sobre os pedais quando da aplicação correta mecânica da pedalada

Prof. Esp. Marco Angelo Barbosa