Superioridade da Raça Negra no Atletismo

Adriano Vretaros

Na atualidade, observando o atletismo mundial, constata-se um fato relevante: os atletas da raça negra se sobressaem mais significativamente em relação aos atletas brancos na grande maioria das provas de pista e de rua. Surge, a partir disso, a seguinte indagação: quais seriam os fatores que levariam a esse fenômeno?

Tentaremos abordar o assunto em três grandes contextos: histórico-sociocultural, biológico e ecológico.

Abordagem histórico-sociocultural

A África é historicamente falando, povoada por tribos nômades. Essas tribos sobrevivem da coleta de alimentos do próprio meio ambiente e, com isso, usam seu corpo diretamente em contato com a natureza e a atividade física. Por exemplo, a tarefa da condução de animais de uma pastagem para a outra a quilômetros de distância, realizada a pé, tanto por adultos quanto crianças.

Devido ao baixo poder aquisitivo da maioria da população, muitas vezes os meios de transporte são deixados em segundo plano, sendo realizados determinados percursos a pé ou correndo. Portanto, desde pequenas as crianças se acostumam a cumprir longos trajetos de suas aldeias até as escola.

Um fato da história do nosso país que marcou os africanos e que, em parte, comprova nossa tese é a colonização do Brasil após o Descobrimento. Os colonizadores, inicialmente, utilizaram-se dos índios como escravos que, devido às dificuldades de controle, adestramento e capacidade de suportar cargas, foram trocados pela mão-de-obra escrava negra, importada da África. Empiricamente, já naquela época, os colonizadores evidenciavam a supremacia da raça negra no que se refere a esforços físicos sobre-humanos.

Além disso, a maioria dos talentos africanos é de origem humilde, que busca inspiração em seus ídolos, fazendo com que sua força de vontade, sacrifício e determinação sejam mais solicitadas.

Abordagem Biológica

A mais discutida e difundida teoria acerca das diferenças raciais no esporte é a questão da genética.Especula-se que a bagagem hereditária é responsável por aproximadamente 80% do rendimento de um atleta. Os outros 20% são derivados de processos de treinamento, nutrição e equipamento, entre outros aspectos.

Neste sentido, os atletas negros possuem uma vantagem em relação à etnia branca. Segundo os grandes pesquisadores da ciência do esporte, existem diferenças na musculatura esquelética dos negros que comprovariam esse considerável potencial em relação às corridas.

A grosso modo, as nossas fibras musculares são divididas em tipo I e II. As fibras do tipo I suscitam características de abalo lento, ou seja, mais propícias para esforços de longa duração e baixa intensidade, como as provas de fundo e maratonas. Em contrapartida, as fibras do tipo II são adequadas para esforços de curta duração e alta intensidade, ideais para provas de 100m e 200m.  Seria por meio da propensão para um dos tipos de fibra, que se determinaria o tipo de prova na qual o atleta obteria seus melhores resultados. Alguns estudos alegam que os negros são possuidores de um maior número de fibras do tipo II. Outros, no entanto, especulam que o percentual de fibras do tipo I é o predominante. Essas diferenças podem ser atribuídas não somente a fatores genéticos, porque as fibras musculares são determinadas também pelo estilo de vida da pessoa.

Geneticamente falando, se pegarmos dois indivíduos e os submetermos ao mesmo programa de treinamento, aquele possuidor de um genótipo mais favorável poderá mostrar um potencial de melhora que poderia chegar a ser de até 10 vezes superior em relação ao atleta que não possui bagagem genética.

Portanto, antes de selecionar o método de treinamento ou o equipamento a ser utilizado deve-se, antes de mais nada, observar a raça e a herança genética do atleta, que aparentemente sugere ser mais favorável aos negros.

Abordagem Ecológica

O meio ambiente onde crescem, vivem e treinam os atletas, também influencia nas suas performances. Países como Quênia, Marrocos e Etiópia, onde surgem os grandes nomes do atletismo mundial, são possuidores de condições geográficas favoráveis.

As grandes altitudes existentes nesses países favorecem os atletas que ali nascem e treinam. É sabido que o treinamento executado nas grandes altitudes, ocasionam alterações nas funções fisiológicas. Entre tantas, o aumento no sangue de uma substância chamada hemoglobina. A hemoglobina é responsável pelo transporte de oxigênio no organismo.

As condições climáticas daquelas regiões são outro fator influenciador. Na África, o clima predominante é o tropical-seco, com a existência de desertos em algumas localidades e poucas chuvas. Esse clima causa uma espécie de aclimatação natural dos atletas, pois os mesmos tornariam capazes de suportar temperaturas elevadas.

Outro aspecto se refere ao terreno de treino que se constata, em sua maioria, ser de terra com irregularidades. A princípio, esse fato poderia ser uma agravante. Porém, um treinamento realizado em terra, se comparado com o asfalto, minimiza o risco de lesões.

Além disso, as irregularidades apresentadas no terreno, como os morros e as descidas acentuadas, causariam uma espécie de trabalho de força natural para as pernas.

Enfim, os aspectos aqui abordados, em hipótese alguma servem de ponto final para um assunto tão extenso e complexo. As pesquisas acerca das diferenças étnicas apresentarão futuramente novos fatos para justificar a supremacia no esporte.

Adriano Vretaros

  • Professor de Educação Física pela UniABC (Universidade do Grande ABC)
  • Pós Graduado em Bases Fisiológicas do Treinamento Desportivo pela Escola Paulista de Medicina.
  • Técnico de Maratonistas, Ultra, e atletas de provas de resistência extrema.
  • Preparador Físico de jogadores de Tênis.
  • Preparador Físico da Companhia de Dança Consciência Experimental.